Da aldeia para o Doutorado: Indígena quer ser exemplo de superação

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“Um dos grandes anseios que eu tenho é que eu seja exemplo para outras pessoas. Para que vejam que é possível: alguém que saiu da aldeia, que estudou em escola pública e que tem diferenças culturais”, assim descreve Nahuria Rosa Karajá Javaé, prestes a se tornar a primeira estudante indígena a ter cursado graduação, mestrado e doutorado pela Universidade Federal do Tocantins. A defesa do doutorado está marcada para esta terça-feira (08), às 14h, no auditório do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal Tropical (PPGCat), em Araguaína.

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Nahuria estudou o Ensino Fundamental na aldeia com seu povo Karajá. Para cursar o Ensino Médio, precisou se mudar para a cidade de Formoso do Araguaia, e por ser muito jovem, seus pais a acompanharam na mudança para que ela completasse os estudos. Assim como sua família a acompanhou para a conclusão de Ensino Médio, a escolha pela faculdade que ela deveria fazer também foi uma decisão de interesse coletivo pelos familiares de sua aldeia. “Todo mundo sentou e decidiu qual curso seria o ideal para a nossa realidade. A conclusão foi por Medicina Veterinária, que é muito bom pela região que a gente mora. Depois que eu entrei é que me apaixonei porque veterinária é um curso muito bonito”.

Aprovada na UFT para o curso que ela e sua família queriam, a estudante mudou-se da região sul do Tocantins para o município de Araguaína, ao norte. A trajetória que começou na graduação teve sequência no mestrado e agora vive a conclusão de mais um capítulo, que é o doutorado. Nahuria teve suporte do Programa Institucional de Monitoria Indígena (Pimi), colaborações de colegas e professores da UFT, assim como também colaborou com outros colegas como monitora de disciplina. “Eu sou fruto da UFT. Fiz a graduação e a pós-graduação aqui. Sou muito grata aos professores e espero colocar em prática o que aprendi aqui”.

Para os familiares e demais pessoas que acompanharam todas essas etapas que Nahuria viveu durante sua trajetória na UFT, aos 28 anos ela já pensa em como se dará sua contrapartida. “Eu acredito que com o tempo as coisas vão dar certo. Eu quero dar um sentido verdadeiro a tudo isso. Ainda que seja pouco, eu quero fazer a diferença. E nós vamos trabalhar na nossa terra”.

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