Buscas por cabelo cacheado no google crescem 232%

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mulher negra

As buscas no Google por cabelos cacheados superou a procura por cabelos lisos pela primeira vez no Brasil. Os dados foram divulgados pelo buscador, que ainda revelou um crescimento de 232% na busca por cabelos cacheados no último ano. Na mesma tendência, o interesse por cabelos afro subiu 309% nos últimos dois anos.

Conduzido pelo Google BrandLab em São Paulo, o estudo brasileiro ainda revelou outros dados interessantes: 24% das mulheres de 18 a 24 anos reconhecem seu cabelo como cacheado. No entanto, quanto mais velha uma mulher for, mais raras as chances delas declararem a mesma coisa.

O estigma em relação a cabelos crespos e cacheados faz com que 1 em cada 3 mulheres tenha sido vítima de preconceito por conta da aparência dos seus fios, e com que 4 em cada 10 mulheres digam que já sentiram vergonha do seu cabelo.

Nos últimos anos, no entanto, a valorização do cabelo natural e da identidade negra tem ajudado a combater tais números. Com isso, as buscas por transição capilar cresceram 55% nos últimos dois anos.

— Um dos principais fatores que contribuíram para o crescimento nas buscas por cabelos cacheados foi o discurso de empoderamento feminino e de aceitação da própria beleza — explica Amanda Sadi, gerente de Insights do Google BrandLab São Paulo.

— Aceitar os cabelos cacheados não só faz parte desse discurso, mas tem um elemento político muito forte, ainda mais quando estamos falando sobre mulheres negras, que são tão pouco representadas na mídia. Aceitar os cabelos cacheados, extrapola a vaidade, joga luz em questões importantes sobre identidade e expõe a necessidade de se ter maior representatividade em todas as áreas — completa Amanda, que ainda cita as cantoras Karol Conka e Tássia Reis, além de youtubers como Rayza Nicácio, como mulheres responsáveis por mudar a forma como as brasileiras lidam com a beleza.

— Temos visto um aumento significativo de youtubers negras que estão trazendo à tona vários assuntos que são importantes para uma população que não se sentia representada. Rayza Nicácio, Nátaly Neri, Gabi Oliveira e outras influenciadoras estão sendo fundamentais e agindo como porta-vozes dessas mulheres — observa.

Fonte: O Globo

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