Tocantins terá o menor volume de chuvas dos últimos 30 anos

(Divulgação)

Chuva-Fraca-Palmas

O período chuvoso no Tocantins parece demorar cada vez mais para começar.  Essa sensação é causada devido à variabilidade climática, como explica o professor e meteorologista do Núcleo Estadual de Meteorologia e Recursos Hídricos (Nemet/RH) da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), José Luiz Cabral.

“Cada ano é diferente em termos pluviométricos (chuvas), quanto em termos térmicos (temperatura). Não existem anos iguais”.  O pesquisador ainda ressalta que, na nossa história climática, o início do período chuvoso realmente varia, mais tarde ou mais cedo, mas sempre em média a partir da segunda quinzena de outubro.

Apesar das chuvas pontuais que vêm caindo em todo o Estado ao longo dos últimos 15 dias, a climatologia para o trimestre de outubro, novembro e dezembro sugere que o volume para esse ano seja abaixo do esperado em uma comparação média com os últimos 30 anos. A baixa expectativa no volume de chuvas afeta principalmente a produção agrícola, como o plantio da soja e do milho safrinha, que pode ser prejudicado.

Dentre as causas principais causas da estiagem estão o desmatamento, as queimadas  a carência de planejamento dos assentamentos urbanos e rural, equívocos no manejo do uso do mineral, utilização de equipamentos urbanos de distribuição ineficientes e responsáveis por desperdícios, e a pouca consciência do brasileiro em relação à escassez do recurso.

A avaliação foi feita pelo biólogo e diretor do Departamento de Áreas Protegidas (DAP) do Ministério do Meio Ambiente, Sérgio Henrique Collaço de Carvalho. Segundo ele, a existência de unidades de conservação dentro e no entorno das cidades ajudaria na estabilização do regime de precipitação de chuvas e reteria água no subsolo e lençóis freáticos.

Sem consciência

”Esses fatores influenciam no clima, provocando períodos de estiagem, com escassez de água e crise de abastecimento, sendo que, imediatamente depois, vem o período de chuvas, acarretando alagamentos e a ideia de abundância do recurso”, explica Collaço.

No caso da crise hídrica, o fim da resiliência (capacidade de se adaptar ou evoluir positivamente na adversidade) está associado ao fim das áreas naturais e a alteração drástica do ambiente que poderia armazenar água da chuva, avalia o diretor do DAP/MMA. “Belo Horizonte não teve esse cuidado e a falta de planejamento urbano, e a explosão demográfica engoliram essas áreas naturais, que deveriam ter sido preservadas para garantir a recarga de água, de forma mais resiliente, no subsolo”, salienta.

A crise vivida hoje por São Paulo e outras grandes cidades deve-se à falta de planejamento e de conservação dos mananciais, além das mudanças no padrão climático global, em processos acirrados. ”Esse padrão demonstra que o clima está ficando cada vez mais variável (mais extremos de temperatura e precipitação), mudando a dinâmica da floresta amazônica, pois o desmatamento ali registrado, desde dez, quinze anos atrás, comprometeu parte da floresta”, evidencia Collaço.

“O volume de água que sai da Amazônia, tanto pela mudança do padrão climático global quanto pelo desmatamento verificado na região, diminui o volume de água disponibilizado pelo funcionamento da floresta”? Junte-se a isso, o mau planejamento das cidades, a ausência de áreas protegidas que garantam a captura desse recurso e melhora na resiliência do ambiente, e o resultado é uma crise como esta, que já vinha se anunciando há algum tempo.

O meteorologista destaca que ainda que, no Tocantins, a estiagem prolongada afeta principalmente a região Sudeste, devido à seca dos rios. As chuvas foram poucas ou nenhuma na região nos últimos dias.

O pesquisador faz parte do Núcleo Estadual de Meteorologia e Recursos Hídricos (NEMET/RH), que desenvolve trabalhos de monitoramento climatológico e disponibiliza à sociedade, via internet, a previsão do tempo para os 7 dias da semana para todos os 139 municípios do Tocantins e a previsão do clima para 3 meses de todas as regiões do Tocantins.  Neste link aqui.

Jose Luiz Cabral -Meteorologista, Unitins
Jose Luiz Cabral -Meteorologista, Unitins

Com informações da Unitins e do Ministério do Meio Ambiente

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