Cerrado em risco: Pesquisador alerta para extinção dos biomas no Tocantins

(Foto: Beto Viana / Divulgação WWF)
(Foto: Elias Oliveira)

Em entrevista à Gazeta do Cerrado, o pesquisador e professor doutor da Universidade Federal do Tocantins, Adão Francisco, evidenciou os riscos inerentes às culturas agrícolas extensivas e intensivas em relação ao bioma tocantinense. “Isso é drástico! Porque toda geoestrutura da Terra tem como base os biomas presentes no planeta. O bioma Cerrado bem como o bioma Floresta Amazônica são fundamentais para a preservação dessa geoestrutura, uma vez produção de chuvas incidam na região é necessário que as florestas de cada bioma estejam preservadas”, disse.

De acordo com o pesquisador, o objetivo principal desse encontro é fomentar estudos e pesquisas científicas que coloquem em evidência o bioma cerrado e suas dinâmicas territoriais, arranjos econômicos, atores sociais e conflitos políticos “90% do território do Tocantins é dominado pelo cerrado, os outros 10% são de incidência da floresta amazônica e também da caatinga de forma residual. Em Goiás, por exemplo, o cerrado já considerado extinto.

O maior especialista desse bioma, o professor Altair Sales, diz que hoje é muito difícil se falar em cerrado no Estado de Goiás em função exatamente das práticas equivocadas do agronegócio” alertou o professor que afirmou ainda que atualmente o Tocantins vive uma nova situação de fronteira relativa à cultura da soja que põe em risco o bioma cerrado presente em seu território.

Adão afirmou que, o longo período de estiagem que passa pelo Tocantins é reflexo da extinção dos biomas. “A extinção desses biomas fatalmente interfere na forma com que as chuvas são produzidas, criando longas secas, como é o caso que estamos vivendo agora. Por outro lado a preservação dos biomas garante que as águas do subterrâneo possam existir e abastecer todos os mananciais que vão nos contemplar”, pontuou.

Para finalizar, o pesquisador disse que a ameaça aos biomas não coloca em risco apenas a população de incidência deste e sim todo o planeta Terra em função das alterações dessa geoestrutura.

(Foto: Beto Viana / Divulgação WWF)

Entenda

O Brasil possui uma das maiores sócio biodiversidades do planeta, produzindo uma série de produtos através de uma alta diversidade cultural. De acordo com o governo brasileiro, a sociobiodiversidade é o conceito que expressa a inter-relação entre diversidade biológica e a diversidade de sistemas socioculturais. Ou seja, são os mais variados produtos agrícolas que um país consegue produzir respeitando e integrando processos de agricultores locais (serviços) que possuem modos diferentes e/ou adaptados de cultivo.

O conceito é ligado à sua cadeia produtiva, que consiste em um sistema integrado, constituído por atores interdependentes e por uma sucessão de processos de educação, pesquisa, manejo e produção, beneficiamento a distribuição, comercialização e consumo de produtos e serviços da sociobiodiversidade, com identidade cultural e incorporação de valores e saberes locais, que asseguram a distribuição justa e equitativa dos seus benefícios.

Entende-se por biodiversidade a variedade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte; envolvendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas.

E nesse quesito, o Brasil é excelente por natureza. Somos considerados um país muito diversificado por integrar o grupo dos 20 países que, juntos, possuem mais de 70% da biodiversidade do planeta em apenas 10% da superfície. Apresenta uma natureza exuberante de espécies e paisagens com características peculiares e intrínsecas a cada Bioma: a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal, a Caatinga, a Mata Atlântica, a Zona Costeira Marinha e o Pampa.

IV Circuito da Sociobiodiversidade

O IV Circuito da Sociobiodiversidade: Geopolítica Brasileira na Atualidade e as Perspectivas Territoriais para o Cerrado acontece entre os dias 6 e 8 de novembro no campus da Universidade Estadual de Goiás na cidade de Pires do Rio. O professor doutor Adão Francisco, participa do evento representando os interesses da comunidade acadêmico-científica e da população do Estado por meio do Observatório de Políticas Territoriais e Educacionais do (OPTE) do campus da UFT campus de Porto nacional.

Confira a Programação:

Dia 06/11/2017

Noite

19:00-Abertura

19:30-Mesa Redonda

Tema: “O Conceito de Natureza e Perspectivas para o Estudo do Cerrado”

Dr. Altair Sales (PUC/GO), Dr. Sandro Safadi (IFG), Dra. Cleusa M. da Silva (UEG)

Dia 07/11/2017

Manhã

08:30-Painéis Temáticos

Noite

19:00-Mesa Redonda

Tema: “A Geopolítica Atual no Cerrado”

Dr. Alex Tristão (IFGoiano), Dr. Adão Oliveira (UFT), Dra. Angelita Lima (UFG), Dr. Fábio Barbosa (UEG)

Dia 08/11/2017

Tarde

13:00-Painéis Temáticos

Noite

19:00-Mesa de Encerramento

Tema: “Dimensões Culturais do Cerrado”

Dr. Eguimar Chaveiro (UFG), Dr. Rossevelt Santos (UFU), Dra. Ana Carolina Marques (UEG), Dra. Marise de Paula (UEG).

(Foto: Divulgação)

Texto: Nielcem Fernandes

Edição: Brener Nunes

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