Bill Gates está reinventando como usamos o banheiro

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(Fonte: CRANFIELD UNIVERSITY)

Para quem mora na cidade grande, a ideia de usar o banheiro é algo tão cômodo e trivial que nos faz esquecer que, em boa parte do mundo, a ideia de ter algo como um vaso sanitário – ou mesmo um encanamento básico – é praticamente fantasiosa. Bill Gates, no entanto, está usando sua fundação para trabalhar em uma nova tecnologia de privadas que simplesmente reinventa como essas pessoas podem utilizar os banheiros mesmo em regiões carentes.

A solução proposta por eles é, no mínimo, incrivelmente engenhosa. Para começar, a privada não precisa de água ou encanamento para funcionar, armazenando os dejetos internamente para depois convertê-los em materiais reutilizáveis. Como se tudo isso não fosse impressionante o suficiente, Gates ainda afirma que o dispositivo é barato, permitindo mesmo a regiões de baixa-renda terem acesso a ele.

Como eles são capazes de tal façanha? Basta conferir o vídeo logo abaixo para entender. Para começar, todo o material despejado nele é levado para um compartimento separado, de maneira a impedir que quaisquer odores indesejados saiam do interior da privada. A partir disso, mecanismos internos separam dejetos sólidos e líquidos – e é aí que entra a parte realmente impressionante.

Isso porque a privada é capaz de gerar sua própria energia, através de painéis solares, para ativar um combustor, transformando fezes em um “carvão biológico” que serve tanto de combustível quanto de fertilizante. Já a urina é aquecida e filtrada por membranas especiais, sendo então condensada em água livre de patógenos; esta, por sua vez, é armazenada em um tanque na frente da privada, e pode ser usada para limpeza ou mesmo irrigação.

O método, é claro, ainda pede certo nível de manutenção. As privadas, por exemplo, precisam ter suas membranas trocadas a cada três meses, e os dejetos processados ainda devem ser esvaziados com frequência. Mesmo assim, não há como negar que o sistema é surpreendentemente eficiente, atendendo múltiplas necessidades comuns para comunidades de países como Índia e África, onde a tecnologia atualmente está em testes.

Se você acha, por fim, que tudo isso é trabalhoso demais apenas para oferecer mais conforto, saiba que está terrivelmente enganado. Visto que doenças causadas por uma higiene ruim e uma sanitização inadequada estão em segundo lugar nas causas de morte para crianças abaixo dos cinco anos, oferecer algo assim é uma das maneiras mais eficientes de salvar um enorme número de pessoas.

Resta agora esperar para ver se o projeto, que já está em desenvolvimento desde 2011, vai conseguir ser aprovado e lançado para outras regiões que precisam de melhores condições sanitárias.

Por Paulo Guilherme, do TecMundo

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