Operação: Presos estão na CPPP; esquema desviou R$ 7 milhões e tinha quatro núcleos

Coletiva de imprensa aconteceu na SSP - Foto - Whebert Araújo

Brener Nunes

Em coletiva na manhã desta sexta-feira, 03, a Polícia Civil informou que dos 26 mandados de prisão da segunda fase da Operação Jogo Limpo, 22 já foram cumpridos. “Faltam ser presos o vereador Folha, Major Negreiros, Fernando Fagundes e Renato Santos”, disse o delegado Luciano Barbosa.

O delegado Guilherme Martins que também participa das investigações afirmou que: “Foi constatado que o dinheiro foi para fomentar campanha e militância política”.

Segundo ele esta fase é um aprofundamento das investigações. “Conseguimos identificar servidores, políticos e entidades sem fins lucrativos envolvidos no esquema. O dinheiro foi para políticos, servidores e serviços”, contou.

O delegado ainda esclareceu que foram encontrados comprovantes de depósitos para as contas dos vereadores. “Foram encontradas R$ 10 mil na conta do vereador Rogério Freitas e R$ 40 mil na conta de José Folha. O dinheiro era depositado por empresas fantasmas”, pontuou.

Documentos e computadores foram apreendidos a fim de subsidiar a investigação.

Algumas das entidades investigadas são: Associação Atlética Estrela Real, Associação Titã Cross, Associação dos Moradores de Santa Fé e Associação Estadual de Karatê.

A Polícia Civil investiga um rombo de mais de R$ 7 milhões em órgãos da Prefeitura de Palmas como a Fundação Municipal de Esporte e Lazer (Fundesportes) e da Secretaria de Governo e Relações Institucionais.

Os mandados de busca e apreensão estão sendo realizados em Palmas, Goiânia, Fortaleza do Tabocão e Aparecida do Rio Negro.

As investigações mostram que o dinheiro teria sido usado para financiar campanhas eleitorais em 2013 e 2014. A verba seria destinada para projetos sociais e de incentivo ao esporte.

Núcleos

A investigação apontou que o esquema possuía quatro núcleos. O primeiro, segundo a polícia, seria formado pelos operadores do esquema, que também seriam responsáveis pela lavagem do dinheiro.

O servidor Juliano Ebeling Viana seria o responsável por aliciar os presidentes das entidades esportivas, confeccionar os projetos a serem apresentados ao município e dar agilidade dentro da Fundação de Esportes do Tocantins. Segundo a polícia, o servidor era auxiliado pela esposa, Marcileia de Souza.

Função semelhante era exercida por Fernando Fagundes Bastos, na Secretaria de Governo e Relações Institucionais de Palmas. Além deles, outras pessoas também foram apontadas como operadoras pontuais.

Outros dois suspeitos que participavam deste núcleo eram James Paulo Maciel Vilanova e Márcio Marques Soares. Para a polícia, eles seriam os responsáveis por administrar sete empresas fantasmas e emitir notas firas.

O segundo núcleo seria constituído de servidores públicos das duas secretarias. Eles possuíam a função de agilizar os processos de liberação dos recursos públicos.

Já o terceiro núcleo, apontado como complementar, era constituído pelas entidades que teriam sido contempladas pelos convênios e outras empresas fantasmas.

Por fim, o quarto núcleo seria de agentes políticos da base aliada do poder executivo. “[…]em especial, aqueles que detinham possibilidade de ascensão ao cargo de deputado estadual ou federal nas eleições proporcionais de 2014”, apontou a polícia.

Neste núcleo estavam os políticos supostamente beneficiados pelo esquema: Waldison da Agesp, Major Negreiros (PSD), Rogério Freitas (MDB) e José do Lago Folha Filho, o Folha (PSD), além de militantes que o acompanhavam na campanha.

Confira os mandados de prisão da 2ª fase da operação:

  • Marcio Marques Soares
  • Elza Maria Silva Carvalho Soares – Servidora pública
  • Salvador Domingos Anjos – Presidente Federação Tocantinense de Kickboxing Amador
  • Waldson Pereira Salazar – Ex-vereador de Palmas
  • Fernando Fagundes Bastos – Servidor público
  • Armando Cabrera Abreus – Ex-diretor da Fundesportes
  • Bruno Henrique Castilho Lopes – Servidor público
  • Pedro Neto Gomes Queiroz – Servidor público
  • Neimar Tavares Magalhães – Ex-superitendente de feiras de Palmas
  • Adenilton de Sousa Barbosa
  • Cláudio Adalberto do Amaral Santos
  • Renato Cesar Auler do Amaral Santos
  • Jose Antônio Coelho Dos Santos
  • Pedro Coelho Dos Santos
  • Ana Maria Lage Rabelo
  • Marcelo Rosseto Claudiano – Ex-vice-presidente financeiro da Federação Tocantinense de Futebol de Salão
  • Jocivaldo Dias Cardoso – Presidente da Federação de Karatê do Tocantins (FEKTO)
  • Jarbas Pinheiro de Lemos – Presidente de um grupo de quadrilha junina
  • Wilson Alves da Silva – Membro do conselho municipal de políticas culturais em 2014
  • Marcio Keilos Simão de Carvalho – Presidente da Associação Tocantinense de Titan Cross
  • Flaviane Cruz Cardoso Santos – representante de uma casa de recuperação e ex-membro do Conselho Municipal de Assitência Social em 2014
  • Florisval Batista dos Santos – representante do Instituto de Ensino e Pesquisa Azibo Capoeira
  • Clayzer Magno Duarte – Ex-presidente de associação de moradores
  • Raimundo Rêgo de Negreiros – Vereador de Palmas
  • Rogério Freitas Leda Barros – Vereador de Palmas
  • José do Lago Folha Filho – Presidente da Câmara de Vereadores.

Outro lado

A Câmara de Palmas informou que o presidente da Casa, vereador Folha, cumpre agenda política em Araguaína e está a caminho de Palmas para prestar os esclarecimentos necessários à Polícia Civil.

O chefe de gabinete do major Negreiros informou que ele está viajando com a família para o Chile e ainda não tomou conhecimento da operação.

A Prefeitura de Palmas informou que está à disposição da Justiça e da investigação para contribuir com qualquer esclarecimento.

G1 ainda tenta contato com a defesa do vereador Rogério Freitas e dos demais citados nesta reportagem.

Fonte: G1 Tocantins

Sua opinião é muito importante: