Pés no chão e combate à cultura de corrupção: o que diz a única mulher candidata ao Governo?

1
211

Especial Gazeta do Cerrado

Única mulher na disputa majoritária para o Governo e também para o Senado no Tocantins, a candidata Bernadete do PSOL concedeu entrevista exclusiva à Gazeta do Cerrado na qual expõe suas propostas e fala como pretende fazer a campanha.

Ela é fundadora da Casa 8 de Março no Tocantins é conhecida por varias outras defesas sociais importantes. Seu vice é Ney Robson.

Confira a íntegra da entrevista:

Entrevista Especial Gazeta do Cerrado

Gazeta do Cerrado: Como você avalia o fato de ser a única candidata mulher ao Governo?

Bernadete: Sobre o fato de eu ser a única candidata mulher na disputa eleitoral majoritária, vejo com muito bons olhos que meu partido – PSOL 50 – tenha tido a coragem e o compromisso de priorizar a paridade e o respeito às mulheres com caminhadas similares à minha: feminista,  socialista, de esquerda, da classe popular e com opções políticas bem definidas em favor da população, dos movimentos sociais e do social.

Por esta coragem, sensibilidade e compromisso é que o PSOL tem se convertido, em nível nacional, no maior partido de confiança da população, com credibilidade e empatia, para representar o povo, sendo coerente com sua característica principal de ser socialista democrático.

Por isso ele tem a bancada mais confiável e premiada do congresso e tem a chapa para as eleições presidenciais mais comprometida, a única que se pode dizer de esquerda mesmo, com um representante dos movimentos populares (Guilherme Boulos) e uma representante indígena, a primeira mulher indígena a disputar a majoritária presidencial em 518 anos (Sonia Bone Guajajara).

Guardadas as devidas proporções, o PSOL do Tocantins também tem esta visão e escolhe a única candidata que pode representar a novidade, a diferença e a alternativa ao mais do mesmo trazido pelas outras chapas.
Não sou primeira dama, não sou irmã, filha, namorada nem cliente dos políticos tradicionais, não sou política de fachada, não estou por trás e ninguém está por trás de mim…só os ideais do meu partido e as expectativas de mais de 50% do eleitorado tocantinense e minha certeza de ter compromisso com estes ideais.

Gazeta: Qual a estratégia para a campanha!?

Candidata: Sobre as estratégias a serem utilizadas para atual campanha ainda estamos desenhando, uma vez que o PSOL é um partido de poucos recursos materiais, historicamente recente e devemos contar com muita criatividade.

Como a pessoa que representará o governo de um Estado e de um povo, penso que a primeira das estratégias é ter os pés bem no chão e o senso de realidade muito profundo. Voltar o olhar para uma massa de pessoas, mais da metade dos eleitores do Estado que não confiam na política, no modelo político que aí está e nem nos políticos de carreira, e existe uma quantidade de eleitores que têm a plena consciência de que a verdadeira mudança para o Estado só virá com alguém que represente a classe dos trabalhadores e trabalhadoras, das mulheres simples e dos grupos originários, marginalizados no Estado.

Com os pés no chão e a cabeça criativa, conto com a minha verdade de vida e com minha trajetória junto aos movimentos sociais, minha vivência cotiana mente socialista e difícil para convencer a população que sou como todos e todas, desencantados com a política, e ansiosa pelo novo; sou igual, passo as mesmas dificuldades, também sofri com a crise, também estou desempregada, também fui forjada na luta e sofro com a falta de políticas sociais e com a desigualdade na política. Assim, estamos todos e todas juntas. Vou de encontro a um olhar de quem me conhece, que sente que “estamos juntos e juntas”, um olhar que reconhece minha solidariedade e sororidade, tão difíceis de serem encontrados neste momento da vida política do Estado e do Brasil.

Construirei as táticas ao longo da campanha, com meu partido e com os movimentos sociais que aderem à nossa candidatura, em especial os do campo da diversidade multicultural: mulheres, mulheres negras, mulheres campesinas, LGBTQI, trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, excluídos e excluídas em geral da sociedade e das políticas, além de todos e todas que queiram vir e que se vejam representados nos marcos e na visão do PSOL.

Gazeta: E sobre as propostas? Quais as prioridades!?

Candidata: Primeiramente, penso em seguir as propostas do Plano de Governo do PSOL, apresentado para a campanha das eleições extemporâneas recentemente acontecidas; acrescidas das propostas colhidas ao longo de anos e anos de militância e participação no movimento feminista, nas conferências sociais e nos conselhos, além das propostas colhidas junto aos movimentos sociais prioritários em nossas lutas: os movimentos camponeses em geral, indígenas, quilombolas, movimentos de diversidade, de direitos humanos, de jovens e mulheres negras, da luta antirracista, da luta por educação de qualidade, por saúde e seguridade social universal.

Por fim, não posso prometer nada, nem prometeria mesmo que a situação do Estado do Tocantins fosse outra. Mas, nada do que eu diga que tentarei realizar poderá acontecer sem o combate a uma cultura política de corrupção, favorecimento de grupos e famílias abastadas, sem a luta contra a falta de transparência e profunda falta de compromisso com a sociedade.

A cultura política machista, patriarcal, oligárquica e ladina que aqui se instalou e teima em continuar mediante acordos e pressões espúrias até mesmo sobre quem se apresenta hoje como a novidade sofrerá sim um duro golpe com nossa chegada ao palácio, com minhas amigas pretas, com meu filho preto, com minha gata preta, com meus correligionários trabalhadores, com meus amigos militantes, com meus amigos de fé democrática. Mas, por enquanto, eles só desdenham. E eu confio, tenho plena confiança.

Minhas propostas vêm do conhecimento profundo da falta de prioridade dada às pessoas, principalmente às mais excluídas por todos os que passaram pela chefia do Estado do Tocantins ao longo de 30 anos. Vem do sofrer na própria carne e estar todos os dias ao lado daquelas que mais sofrem.
Por isso não tenho medo de dizer que teremos um novo Tocantins, um Tocantins, sem medo, com o nosso plano de governo.

1 comentário

  1. Precisa o país de pessoas que governa sem bandeiras marxista ou feminista. Às bandeiras só servem para aumenta o ódio entre grupos. Igualdade social não se conquista com bandeiras algumas.

Sua opinião é muito importante: