Disparo no WhatsApp usou CPF e nome de idosos em esquema fraudulento nas eleições

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Reprodução IDGNOW

Nomes e CPFs de idosos foram utilizados para o registro fraudulento de chips de celular por uma rede de empresas que usou o método para garantir o disparo de lotes e mensagens em benefício de políticos durante a campanha eleitoral, segundo nova reportagem da Folha de S.Paulo. Os repórteres Artur Rodrigues e Patrícia Campos Mello, que assinam a reportagem, tiveram acesso a documentos apresentados à Justiça do Trabalho e relatos do autor da ação Hans River do Rio Nascimento. Nascimento é ex-funcionário de uma das empresas envolvidas no esquema.

Entre as agências contratadas está a empresa de marketing digital Yacows. De acordo com a reportagem, ela foi subcontratada pela AM4, a produtora que trabalhou para a campanha do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). A reportagem afirma que possui as conversas gravadas com Hans, feitas a partir do dia 19 de novembro. O ex-funcionário disse que não sabia quais campanhas se valeram da fraude. Entretanto, dias depois, por meio de mensagem de texto, Nascimento teria mudado de ideia após fazer acordo com a antiga empregadora. Em outubro, a Folha de S.Paulo revelou que empresários pagaram para impulsionar mensagens anti-PT na disputa eleitoral.

Nos relatos de Nascimento dados à reportagem, ele explica que as empresas coligadas – Yacows, Deep Marketing e Kiplix – cadastravam celulares com nomes, CPFs e datas de nascimento de pessoas que ignoravam o uso de seus dados. Uma lista com 10 mil nomes de pessoas com idades de 65 a 86 anos foi distribuída pela Yacows aos operadores de disparos de mensagens. Para liberar o uso de um chip, a lei brasileira exige o cadastro de CPFs válidos e, uma vez que o WhatsApp trava números que enviam grande volume de mensagens para barrar spam, as agências utilizavam chips para substituir aqueles que eram bloqueados. De acordo com o relato do ex-funcionário, 99% do esquema era utilizado para campanhas políticas e 1% para a  marca de cosméticos Jequiti.

Além da Kiplix, que trabalhou para a AM4, agência a qual Jair Bolsonaro declarou pagamento de R$ 650 mil para o TSE, a Deep Marketing prestou serviços para outros candidatos, entre eles Henrique Meirelles (MDB), que declarou pagamento de R$ 2 milhões à empresa por criar páginas de internet. Ao menos outros 15 candidatos a deputado estadual, federal e senador declararam ao TSE ter usado serviços da Deep Marketing e da Kiplix, informou a Folha de S.Paulo.

À Folha, a Yacows afirmou que “não há evidências de atos ilícitos no processo trabalhista aberto por Nascimento e que não compactua com práticas ilegais”.

“A Yacows reafirma que não foi contratada em nenhum momento pela equipe da campanha do candidato Jair Bolsonaro para distribuir conteúdo eleitoral e pode dizer o mesmo das demais empresas que possuem sócios em comum, citadas pelas reportagens da Folha”, disse a empresa em comunicado ao jornal.

À Folha de S.Paulo, o TSE afirmou que a Yacows integra polo passivo de uma ação cautelar e é investigada em outro processo, porém disse que não se pronunciaria em casos sub judice”.

Fonte: IDGNOW via Terra

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