Tia Naninha de Natividade receberá no Senado diploma por luta pelo protagonismo feminino

A bancada feminina do Senado anunciou na terça-feira (12) os nomes indicados para o Diploma Bertha Lutz de 2019. A cerimônia de entrega está marcada para o dia 26 de março, às 10h, em Plenário. Uma das homenageadas, segundo o Senado divulgou será a tocantinense de Natividade, Tia Naninha.

A família de Ana Benedita de Cerqueira e Silva, de 81 anos, ou simplesmente tia Naninha, e seus 14 funcionários produzem o biscoito que conquistou o paladar dos tocantinenses. O amor-perfeito virou símbolo do Tocantins. E a delicadeza e o sabor do bolinho, que tem formatos de uma coroa, tem conquistado novos mercados.

A fábrica com forno a lenha fica em Natividade, um dos municípios mais antigos do Tocantins, tombado em 16 de outubro de 1987 pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). É na cidade de casarões antigos, que remontam ao tempo colonial e de ruas estreitas e paralelepípedos, que o amor-perfeito nasceu.

Segundo tia Naninha, o biscoito foi herança da mãe dela. “Minha mãe fazia os bolos, mas não os vendia. Agora, como ela aprendeu, é um mistério”, diz.

Tia Naninha cresceu vendo a mãe fazendo o amor-perfeito, aprendeu a receita e até hoje confecciona o biscoito, mas com uma diferença: a economia da família. Antigamente, a cozinheira fazia o bolo para o consumo da família e para receber visitantes. Segundo ela, às vezes, as pessoas levavam os ingredientes para ela fazer o bolo. Agora, a família vive da venda do amor-perfeito.

A homenagem

A senadora Rose de Freitas (Pode-ES) informou que cada senadora indicou até dois nomes — o que soma 23 mulheres homenageadas. Rose afirmou que a bancada feminina está unida em sua atuação pela defesa dos direitos das mulheres. Para a senadora, a entrega do diploma pode ajudar a levar o Congresso a ter, no futuro, mais da metade de suas cadeiras ocupadas por mulheres.

Para a senadora Zenaide Maia (Pros-RN), o diploma é uma forma de dar visibilidade a homens e mulheres que querem os direitos femininos e o bem do país. A senadora Leila Barros (PSB-DF) afirmou que a homenagem é um reconhecimento a mulheres que deixaram um legado e fazem a diferença na sociedade. Na visão da senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE), o diploma é importante tanto para o Senado quanto para todas as mulheres do Brasil.

A senadora Mailza Gomes (PP-AC) afirmou que o prêmio é uma homenagem a todas as mulheres, por todas as suas lutas. Já a senadora Simone Tebet (MDB-MS) ressaltou que muitas das agraciadas ajudaram a abrir o caminho para que mulheres estejam exercendo mandatos hoje no Senado e na Câmara dos Deputados. Para ela, a sessão de entrega do diploma Bertha Lutz é a sessão solene mais importante do Congresso Nacional.

O Diploma

O Diploma Bertha Lutz é entregue pelo Senado desde 2001, em reconhecimento a pessoas que se destacam na luta pelo protagonismo feminino na sociedade brasileira. O nome do diploma é uma referência a Bertha Lutz, precursora no Brasil na luta pelo direito de voto às mulheres, conquistado em 1932.

Em 2018, foram homenageadas as 26 deputadas que participaram da Assembleia Constituinte em 1988. Também já foram agraciadas com o diploma a escritora e tradutora Lya Luft, a ex-ministra do STF Ellen Gracie, e a secretária-geral da Federação Nacional de Trabalhadores Domésticos (Fenatrad), Creuza Maria Oliveira.

Bertha Lutz

Bertha Lutz (1894-1976) é uma referência para o movimento feminista no Brasil. Ela foi a segunda mulher a se tornar deputada federal na história do país. A primeira foi Carlota Pereira de Queirós. Bertha era formada em Biologia e Direito e foi a primeira mulher a integrar uma delegação diplomática brasileira, em 1945, na conferência em que foi redigida a Carta das Nações Unidas. Ela também integrou a delegação brasileira à Conferência do Ano Internacional da Mulher, no México, em 1975.

Homenageadas Prêmio Bertha Lutz 2019

Indicadas

Indicadas in memoriam

Hermínia Maria Silveira Azoury – juíza de Direito Heley de Abreu Silva Batista – professora que morreu tentando salvar crianças de um incêndio numa creche em Janaúba (MG)
Marcia Abrahão Moura – professora universitária Maria Esther Bueno – maior tenista brasileira
Iolanda Ferreira Lima – primeira governadora de estado (Acre) Laélia Alcântara – médica e ex-senadora
Helena Barros Heluy – advogada e ex-deputada Marielle Franco – socióloga e vereadora do Rio de Janeiro
Iracy Ribeiro Mangueira Marques – juíza de Direito Fabiane Maria de Jesus – dona de casa, espancada e morta depois de ser falsamente acusada de magia negra
Leiliane Silva – vendedora (ajudou a salvar o  motorista de caminhão preso às ferragens, no acidente que envolveu o helicóptero em que estava o jornalista Ricardo Boechat) Alzira Soriano – primeira prefeita do Brasil (Lajes-RN)
Maria Lucia Fattorelli – coordenadora da  Auditoria Cidadã da Dívida Eudésia Vieira – médica
Laissa Polyana (Laissa Guerreira) – criança ativista Helena Meireles – violeira e cantora
Delanira Pereira Gonçalves – música Bibi Ferreira – atriz e cantora
Jaceguara Dantas da Silva Passos – procuradora de Justiça Leide Moreira – poetisa acometida pela Esclerose Lateral Amiotrófica, que publicou dois livros escritos com o movimento dos olhos
Gabriela Manssur – promotora de Justiça Margarida Lemos Gonçalves – educadora, pesquisadora e missionária batista
Ana Benedita de Serqueira e Silva  (Tia Naninha) – produtora de biscoitos artesanais

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