Ancine corta apoio para filmes em 11 festivais internacionais

| Gazeta do Cerrado - Para mentes pensantes | - 16/09/2019

Última atualização em 16/09/2019 16:36

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A Agência Nacional do Cinema (Ancine) rescindiu a concessão de apoio financeiro que havia liberado anteriormente para que alguns filmes brasileiros participassem de festivais internacionais.

Procurado, o órgão informou que “todos os apoios previstos no Programa de Apoio a Festivais Internacionais estão sendo reavaliados, em razão do contingenciamento orçamentário determinado pelo Governo Federal” (leia, abaixo, a íntegra).

“A divulgação de projetos contemplados no Programa não representa garantia de que eles receberão os recursos, uma vez que o próprio termo de compromisso firmando o apoio condiciona o aporte à disponibilidade orçamentária.”

A Ancine informou ainda que 11 festivais foram cortados e que o valor dos apoios varia de acordo com o evento. O G1 solicitou a listagem completa dos filmes e festivais cortados, mas não obteve retorno da Ancine até a última atualização desta reportagem.

“O critério foi exclusivamente temporal: foram mantidos os apoios a projetos em festivais já realizados ou em curso.”

Filmes com temática LGBT e racial

“Greta” e “Negrum3”, dois filmes com temática LGBT e racial e que participariam do Queer Festival, em Lisboa, tiveram o apoio financeiro por adesão liberado em agosto. Cada um receberia o valor de R$ 4,6 mil “destinado à participação do representante do filme no Queer Lisboa – Festival Internacional de Cinema Queer (Portugal), no qual o mesmo foi selecionado”, segundo termo de concessão.

Ambos tiveram o apoio financeiro cortado pela Ancine. A rescisão aconteceu em 10 de setembro e foi publicada no “Diário Oficial da União” nesta segunda-feira (16). O Queer Lisboa acontece entre 20 e 28 de setembro.

O filme “Volta Seca”, de Roberto Veiga, que participa do Encounters Film Festival, na Inglaterra, também teve o corte de concessão de apoio. O festival acontece entre 24 e 29 de setembro. O curta-metragem apresenta uma personagem trans que quer retornar para sua terra-natal, Petrolina, 20 anos após chegar a São Paulo.

Denis Feijão, produtor e sócio-criador da Elixir Entretenimento, produtora do “Volta Seca”, lamentou o corte, mas não acredita que a ação da Ancine seja específica para filmes com temática LGBT.

“Acho que é um conjunto de coisas. Sim, isso existe, mas não podemos botar tudo em uma panela só. Prefiro não acreditar nisso”.

“É um processo natural dentro do que está acontecendo, péssimo, de cortar pela cadeia. Começa com curtas, festivais. Estão tentando minar nossa atividade”.

Festival repudia decisão

O Queer Festival publicou em seu site oficial e nas redes sociais uma carta de repudio a decisão da Ancine.

“É com profundo repúdio e pesar que recebemos a notícia, através de meios de comunicação no Brasil, de que a Ancine rescindiu inesperadamente o apoio já confirmado este ano ao Queer Lisboa, depois de anos de parceria. Em causa está o apoio a dois dos filmes brasileiros presentes na competição do festival, o Greta, de Armando Praça, e o Negrum3, e Diego Paulino”.

“Até ao momento, este Festival não recebeu qualquer contato oficial por parte da Ancine, a explicar a situação. Face às notícias que nos chegam, que fique claro que ‘negritude’ e ‘homossexualidade’ são este Festival e ocuparão sempre as nossas telas”.

Pelo Facebook, Diego Paulino, diretor de “Negrum3”, falou sobre o corte.

“Escrevo esse texto para deixar pública mais essa ação de desmantelamento do audiovisual brasileiro e censura. ‘Negrum3’ é um filme sobre celebrar as existências múltiplas de bixas pretas, insubmissas e revolucionárias. É um filme que aponta para o futuro, mesmo que a realidade cruel tente nos matar todos os dias. Cinema é discurso e imaginário. Imaginários alteram o plano do concreto, do real. Censurar ‘Negrum3’ é censurar esse cinema feito por preto, por bixa, que recria e reconta a história. Deixo pública minha indignação e repulsa ao (des) governo que assola o país”.

Diego ainda compartilhou um link no qual organiza uma vaquinha virtual para arcar com os custos para participação no festival.

“Como contava com o apoio da Ancine, comprei as passagens e as parcelei, já que era a única maneira de custeá-las. Agora sem mais esse dinheiro, a dívida continua”, explica.

Leia o comunicado da Ancine:

“Todos os apoios previstos no Programa de Apoio a Festivais Internacionais estão sendo reavaliados, em razão do contingenciamento orçamentário determinado pelo Governo Federal.

A divulgação de projetos contemplados no Programa não representa garantia de que eles receberão os recursos, uma vez que o próprio termo de compromisso firmando o apoio condiciona o aporte à disponibilidade orçamentária.

Foram cortados 11 festivais. O valor dos apoios varia conforme o festival. No caso do Festival de Cinema Queer de Lisboa, o valor do apoio seria de R$ 4.600,00 por filme contemplado.

O critério foi exclusivamente temporal: foram mantidos os apoios a projetos em festivais já realizados ou em curso.

Diante da realidade orçamentária e fiscal do País, a ANCINE decidiu priorizar o pagamento da contribuição anual do Brasil ao Programa Ibermedia, dada a importância do programa: uma eventual impossibilidade de pagamento da cota brasileira seria prejudicial não apenas aos proponentes brasileiros, como teria impacto sistêmico sobre todo o funcionamento do Ibermedia.

A ANCINE continua disponibilizando recursos para que o Centro Técnico Audiovisual do Ministério da Cidadania – CTAv continue executando os serviços de guarda e conservação das cópias confeccionadas para o Programa de Apoio.”

fonte: G1 Portal Globo


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