Com produção agrícola sustentável, mulheres quilombolas se destacam no Tocantins

| Gazeta do Cerrado - Para mentes pensantes | - 27/10/2019

Última atualização em 27/10/2019 09:56

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Formada há cerca de 90 anos em Santa Tereza (TO), a comunidade quilombola Barra da Aroeira reúne 97 famílias que produzem, do solo da sua terra, todo tipo de comida: arroz, feijão, mandioca, abóbora, inhame, batata-doce, hortaliças, além da criação de galinha e porcos.

A produção agrícola e pecuária da comunidade segue os princípios da agroecologia, que visa integrar ação humana com o ecossistema já existente. Trata-se, portanto, de uma mudança do homem dominador da paisagem para o homem participante do ciclo da vida que ocupa o espaço.

Grande parte dos alimentos produzidos na Barra da Aroeira são consumidos pelas próprias famílias da comunidade; uma parte pequena é vendida em feiras a céu aberto na capital Palmas.

No dia 15 de outubro, comemorou-se o Dia Internacional das Mulheres Rurais e sua contribuição para o bem-estar socioeconômico, para a segurança alimentar mundial e para a redução da pobreza.

Dar visibilidade aos esforços das agricultoras foi o principal objetivo da campanha regional “Mulheres Rurais, Mulheres com Direitos”, criada pela Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério da Agricultura em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e outras instituições.

Segundo o IBGE, as mulheres brasileiras representam praticamente metade da população residente no campo – destas, 63% são afrodescendentes.

Mulheres quilombolas à frente

E essa estatística não foge à regra na comunidade de Barra da Aroeira, que é administrada pela Associação Comunitária do Quilombo da Barra da Aroeira.

Maria de Fátima Rodrigues, 50 anos, é a primeira mulher a presidir a associação. Assim como outras mulheres do quilombo, ela é agricultora e artesã, além de ser a principal responsável pelo cuidado da casa e dos seis filhos.

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De acordo com o censo demográfico mais recente, as mulheres rurais são responsáveis pela renda de 42,2% das famílias do campo no Brasil. Foto: Banco Mundial/Andrea Borgarello

Fátima aproveita sua vasta experiência com os alimentos como merendeira escolar. “Eu trabalho meio período na escola e no outro período aqui na casa, na roça plantando mandioca, cuidando das galinhas”, relata.

A merendeira relata que para aumentar a produção – e a renda – o principal desafio da comunidade é conseguir apoio externo. “Nosso interesse é produzir mais quantidade, mas até agora enfrentamos muitos desafios para estar organizando a terra pra plantar. Às vezes, as hortaliças perdem, porque não tem como escoar os produtos”, conta.

Atualmente, as mulheres da Barra da Aroeira contam com o apoio da associação e da Cooperativa Quilombarras, criada há pouco tempo pelos agricultores da comunidade. De acordo com Maria de Fátima, a cooperativa ajuda a divulgar os produtos quilombolas e deve reunir cooperados de outros quilombos da região do Tocantins.

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Família de descendentes quilombolas em Pajeu (PE). Foto: Governo Federal do Brasil

As matriarcas também participam de atividades de capacitação técnica e trocas de experiência promovidas por universidades da região e pelo Departamento de Agricultura Familiar da Secretaria de Agricultura do Estado de Tocantins.

“O que esperamos é um apoio pra nós trabalhadoras rurais, especialmente nós quilombolas, mostrarmos a nossa força, porque somos pessoas ainda discriminadas. O nosso interesse é melhorar a qualidade de vida e a renda das mulheres quilombolas”, disse Fátima.

Fonte: Nações Unidas Brasil via Razões Para Acreditar

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