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Dia do Índio: Poeta tocantinense homenageia indígenas

Por: Lucas Eurilio | 19/04/2020

Última atualização em 19/04/2020 13:51

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Equipe Gazeta do Cerrado

O poeta tocantinense Toninho de Arapapá Barbosa fez uma homenagem neste domingo, 19, em comemoração ao Dia o Índio.

Toninho usou metalinguagem com elementos do Tupi-Guarany para compor o poema. (Veja o Glossário com significado dos termos no final do texto).

Dia do Índio, é celebrado no Brasil em 19 de abril e foi criado 1943.

A data de 19 de abril foi proposta em 1940, pelas lideranças indígenas do continente que participaram do Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México. Eles haviam boicotado os dias iniciais do evento, temendo que suas reivindicações não fossem ouvidas pelos “homens brancos”. Durante este congresso foi criado o Instituto Indigenista Interamericano, também sediado no México, que tem como função zelar pelos direitos dos indígenas na América. A data é considerada como dia histórico e motivo de reflexão sobre os valores culturais dos povos indígenas e a importância da preservação e respeito a esses valores.

Confira a homenagem: MEMORIAL TERRA PINDORAMA- Por Toninho Arapapá Barbosa

Poeta Toninho de Arapapá Barbosa – Arquivo Pessoal

Memorial Terra Pindorama

 

Ó sapiente abatinga de outras luas
Quando floriam-se de nuvens rubras
Os pomos nutrientes de Tupã,
E dia’lma de Itá pawa pawa ara-cê yara
Areó-há yby ybacoby sertões…

Pindorama verde pe votu a cantigar
Urucum tingia o tempo em seu matiz,
Araripe bá pira tuba, pira tuba…
Luminada a noite aos olhos de Jacy.

Yby ybacoby, perudá Teriva.
Beraba tutóia, tutóia.

Eis que em certa lua irrompeu-se
Ara amopira irob, îandê yby retama,
Do mar, tão grande mbara, as caravelas
Ao vento da cobiça e da opressão.

Apiçá, apiçá!

Subtamente não tínhamos mais
Nossas manhãs nascidas se sereno;
De aurora festiva e com cheiro de fruta;
Com nascentes, d’água fluindo vida
— ytu moeté moendy cê —
— Ó sapiente abatinga de outras luas e dessas
trouxeram-nos um tempo espedaçado.

 

Irob namoa peró,peró…
Mó rupi amopira añaretá.

Não tínhamos mais
Nossas noites grávidas de estrelas;
— piturama angar i-moandy —
Nosso sono de lua e cachoeira,
Mansa brisa fiel alvissareira
Arumã abaiba aracê-sy.

Vislumbravam ouro, pedras preciosas
Possuir a terra, dominar os rios
Derrubar as matas, espalhar o fogo.
— Ó sapiente abatinga de outra terra além,
A morte anunciada é o que nos tem.

Com caixa papírica quiseram nos amestrar
Dizendo em ser a voz de abaetê
Supremo a Tupã, senhor e eterno
Nigérrimos iríamos perecer, caso
Desobedecesse abaiara abatinga.

A piçá, a piçá!

Cortaram-nos à espada de dois gumes
Ferindo nossa carne e nossa alma,
À lâmina e à voz tão amolada
Em letras, folhas, aço e palavras.
— ó sapiente alibado abatinga
Nos trouxe todo tipo de ruína.

 

Ah, eles não sabiam
Da metafala da terra;
— doce alfabeto sem palavras —
Da não falada fala dos bichos
Dentro em seus olhos de fauna;
Da flora em seu caminhar no fértil
Tão vento e tão passarinho.

Desconhecem a sono dos metais,
O metafísico das lendas,
Verdades transcendentais
Sob as estrelas que cantam!

Semimotara, semimotara
Resistimos nauê naurú
Morongoetá i-yby ybacoby yara

Pois somos a terra:
Nossa língua e de lua, lida e estrelas
—vivo alfabeto sem letras
A céu aberto chão voo e borboletas —
Nossa fé nascente d´água, terra mãe
Faz um tempo sem começo fim e meio

Somos e nada temos
Pois o que havíamos de ter é o que somos.

Portanto,
Acaso queiram dizer que esta terra é nossa,
— co yvy ore retama —
Vos afirmaremos ao contrário:
— ore aicó I-YBY —
Nós somos a terra.

Amém.

 

Glossário – Significado dos termos usados o poema

1Abatinga: homem branco
2Tupã: deus dos Topy
3Itá: pedra
4Pawa:todo, intenso
5Ara-cê yara:nascente cantante d´água
6Areó-há ybacoby: em toda terra 7Pe votu: ao vento
8Pindorama: palmeiral9 Urucum: fruto avermelhado 10Araripe bá pira tuba: lugar pleno cheio e abundante de peixes
11Jacy: lua
12Yby ybacoby: terra de céu azul
13Teriva: alegria
14Perudá:amor
15Beraba: resplandecente, brilhante

16Tutóia:belíssimo
17Ara amopira irob: tempo amargo de precipício
18Îandê yby retama: nossa terra (região)
19mbara:mar
20Apiçá : atenção
21Ytu moeté moendy- cê:cachoeira louvando o iluminado canto

22Irob namoa peró: precipício; muitos homens de longe
23Amó rupy: ao contrário, às avessas 24Amopira ahâreta: precipício, inferno
25Piturama angar I-moendy: noite agradável a iluminar
26Airumã abayba aracê-sy: estrela da aurora noiva e mãe- origem
27Abaetê: homem de palavra
28Abaiara abatinga: chefe do homem branco
29Semimotara: a vontade deles
30 Nauê neurú: bravo, heroicamente
31Moronguetá y-yby ybacoby yara: sentimento puro à terra de céu azul e às águas

32 Co-yby ore retama: esta terra é nossa
33Ore aicó I-yby: nós somos a terra.

Foto: Emerson Silva

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