Incendio, 02 de setembro de 2018

Há um ano um incêndio de grandes proporções atingiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro. Quase 80% do acervo foi perdido e especialistas da área de arqueologia e restauração atuam para que o espaço possa ser reaberto, ainda que parcialmente, em 2022. Ainda é possível fazer doações para a recuperação do Museu.

A reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro promoveu, na manhã deste sábado, 31, um encontro com entidades do setor público e privado para a assinatura de um protocolo que define comitês que darão sequência à reconstrução do museu. O protocolo também marca o encerramento da primeira etapa das obras: retirada de escombros, construção da cobertura provisória e reforço das paredes. A fachada e o telhado do palácio estão na fila entre as próximas demandas.

— Estamos formando comitês através deste protocolo. Um comitê institucional com a presença de outras instituições, como Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, do Instituto Brasileiro de Museus e do próprio Ministério da Educação, para que haja um acompanhamento institucional da reconstrução. E um comitê executivo, que irá decidir qual será o futuro do museu e qual o projeto do novo museu nacional. Este comitê executivo é formado pela Fundação Vale, pela Unesco, pela UFRJ e por um representante externo que pode ser um membro internacional especialista em museus — disse a reitora.

Museu Nacional

Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é a mais antiga instituição científica do Brasil que, até setembro de 2018, figurou como um dos maiores museus de história natural e de antropologia das Américas. Localiza-se no interior do parque da Quinta da Boa Vista, na cidade do Rio de Janeiro, estando instalado no Palácio de São Cristóvão. O palácio serviu de residência à família real portuguesa de 1808 a 1821, abrigou a família imperial brasileira de 1822 a 1889 e sediou a primeira Assembleia Constituinte Republicana de 1889 a 1891, antes de ser destinado ao uso do museu, em 1892. O edifício é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1938. Fundado por Dom João VI em 6 de junho de 1818 sob a denominação de Museu Real, o museu foi inicialmente instalado no Campo de Santana, reunindo o acervo legado da antiga Casa de História Natural, popularmente chamada “Casa dos Pássaros”, criada em 1784 pelo Vice-Rei Dom Luís de Vasconcelos e Sousa, além de outras coleções de mineralogia e zoologia. 

 Museu Nacional da UFRJ, na Quinta da Boa Vista, um ano após o incêndio.
Fernando Frazão/Agência Brasil

O edifício é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1938. Fundado por Dom João VI em 6 de junho de 1818 sob a denominação de Museu Real, o museu foi inicialmente instalado no Campo de Santana, reunindo o acervo legado da antiga Casa de História Natural, popularmente chamada “Casa dos Pássaros”, criada em 1784 pelo Vice-Rei Dom Luís de Vasconcelos e Sousa, além de outras coleções de mineralogia e zoologia. 

Incêndio

incêndio no Museu Nacional do Brasil foi um incêndio de grandes proporções que atingiu a sede do Museu Nacional na noite de 2 de setembro de 2018, destruindo quase a totalidade do acervo histórico e científico construído ao longo de duzentos anos, e que abrangia cerca de vinte milhões de itens catalogados. Foi extremamente danificado com rachaduras, desabamento de sua cobertura, além da queda de lajes internas.

Veja vídeo:

https://youtu.be/RJwNocVsM2g?t=2

Resgate

Uma das coordenadoras do trabalho de resgate de peças nos escombros, a professora Luciana Carvalho detalha que foram recuperadas peças importantes para a pesquisa, como esqueletos humanos, inclusive fragmentos do icônico crânio da Luzia, o mais antigo fóssil encontrado no continente americano.

Ela cita também a recuperação de paleovertebrados e peças que contribuíram para descrever novas espécies, chamados de holótipos.

“Estamos atuando agora nos esqueletos humanos, que resistem bem ao calor. Nós resgatamos materiais da nossa coleção de paleovertebrados, não só os dinossauros, mas também de diversos mamíferos e os holótipos desses vertebrados. Assim como também toda a coleção de holótipos da paleontologia de invertebrados, que estava em um armário que, pela localização, não foi tombado nem destruído. Isso é uma notícia maravilhosa”.

Doações

O diretor do museu, Alexander Kellner, informou que várias doações importantes para recompor o acervo científico e de pesquisa já foram prometidas e entregues.

“Na entomologia nós tivemos 20 doações que dariam mais ou menos 23 mil itens, foi certamente uma das áreas que mais sofreu. Em vertebrados, foram mais de 500 espécimes de diversas áreas do Brasil que foram doados. Na geologia e paleontologia, nós tivemos bens apreendidos pela Receita Federal que foram destinados ao Museu Nacional. Eu faço um apelo público para que isso continue assim: se tiver bens apreendidos, que sejam revertidos para a instituição Museu Nacional”.

A reitora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho,  destacou que em 2020 será construído o Campus da Cavalariça, em uma área fora da Quinta da Boa Vista, doada pela União, que vai abrigar os laboratórios perdidos e a parte administrativa do Museu Nacional. A licitação para a elaboração dos projetos das primeiras intervenções, que serão o cercamento e a infraestrutura básica do local, já está em andamento.

Denise adiantou que estão reservados para a obra R$ 30 milhões, parte do total de R$ 43 milhões destinados pela bancada de deputados federais do Rio de Janeiro por meio de uma emenda impositiva. 

fontes: Agência Senado , O Globo Rio e Agência Brasil