
Quem mora às margens do Rio Perdido voltou a se mobilizar para cobrar a retomada da balsa que, até o fim dos anos 1990, encurtava caminhos e ligava diretamente Rio Sono a Centenário e Recursolândia, na região central do Tocantins. Centenas de pessoas participaram de um encontro para discutir alternativas e pressionar o poder público.
Instalada em 1996, a estrutura foi retirada para reforma em 2000, e nunca mais voltou a operar. Desde então, moradores convivem com desvios longos e travessias improvisadas.
Sem a balsa, quem sai de Centenário ou Recursolândia com destino a Palmas precisa enfrentar um roteiro que passa por Santa Maria do Tocantins, Bom Jesus do Tocantins, Pedro Afonso e Guaraí, seguindo pela BR-153 até Miranorte, depois Miracema do Tocantins e Lajeado até chegar à capital. Segundo relatos da comunidade, o trajeto pode acrescentar mais de 300 quilômetros à viagem.
Do outro lado do rio, a situação se repete. Moradores de Rio Sono também percorrem longas distâncias para acessar os municípios vizinhos. Cerca de 150 famílias que vivem próximas ao Rio Perdido fazem a travessia em canoas, muitas vezes transportando motocicletas, bicicletas e produção agrícola.
“Tem família dos dois lados do rio. A gente passa de canoa, com risco, levando produção, moto, bicicleta, porque não tem mais a balsa”, contou o morador Bira Matos durante a mobilização.
A prefeita de Rio Sono, Valdeia Martins, participou do encontro e afirmou que formalizou pedido ao Governo do Estado. No dia 9 de fevereiro, segundo ela, foi encaminhado ofício ao presidente da Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura do Tocantins, Túlio Parreira Labre, solicitando a reativação da balsa e a disponibilização de três servidores para operar o serviço.
Em manifestação anterior, a Ageto havia informado que a travessia não integra a malha rodoviária estadual e que não existia solicitação formal dos municípios. O órgão acrescentou que, caso receba pedido oficial, poderá avaliar as medidas cabíveis.