Vinho é uma questão de gosto ou de status?

| Gazeta do Cerrado - Para mentes pensantes | - 26/08/2018

Última atualização em 26/08/2018 15:52

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Quem é você diante de uma taça de vinho?

Aquela pessoa que aprecia o que está bebendo e se deixa levar pelas sensações ou que prefere se exibir ao lado de um exemplar bem caro e famoso?

Em outras palavras: você é do tipo que olha para o que está bebendo ou prefere ser visto enquanto bebe?

Gosto, prazer e status podem até andar juntos para muitos apreciadores de vinhos, mas isso não significa que são conceitos que se harmonizam! Na verdade, a fama de um vinho (que quase sempre vem acompanhada de um preço altíssimo) não se basta para determinar se você vai gostar ou não de bebê-lo.

O gosto pelo vinho é muito íntimo e pessoal, resultante do somatório de inúmeras variáveis! Os aromas, as texturas e o sabor do vinho são essenciais, mas tem também o momento certo de abri-lo, seu estado de espírito, a solidão desejada ou a companhia ideal e até a combinação com uma refeição que, de tão perfeita, é capaz de saciar os sentidos!

Por isso é que beber exclusivamente pelo status, muito mais de olho no rótulo do que no conteúdo é, a nosso ver, uma perspectiva muito rasa sobre ter prazer com vinhos. É claro que os exemplares considerados clássicos têm renome, tradição e qualidade, mas eles carregam apenas uma expectativa e não a certeza absoluta de satisfação.

Só que nem todo mundo pensa assim. Há várias pessoas que gastam bastante para beber um vinho sem realmente apreciá-lo. O júbilo, para muitas delas, vem desse jogo de autoafirmação e de “quem pode mais”. É um prazer que vem da vaidade e da exibição e não é, necessariamente, sensorial.

A nossa posição? Bom, ela reflete as nossas experiências: recentemente, em uma degustação às cegas, bebemos dois goles de um certo exemplar, que foram seguidos de arrepios, de uma fatia de pão engolida no desespero e do desprezo da taça. Descobrimos, posteriormente, de que se tratava de um vinho francês popular, da safra 2006, de grande pontuação e que custava cerca de R$200,00.

Curiosamente, um dos nossos vinhos preferidos também nos custou o mesmo preço: foi o biodinâmico Mounbè Vino Rosso 2009, da produtora italiana Cascina degli Ulivi, menos badalado do que o anterior, mas que rendeu muitos sorrisos e suspiros do primeiro ao último gole!

Considerando os exemplares nacionais, as questões “popularidade” e “valor” são ainda mais controversas! A maioria dos vinhos brasileiros que curtimos não custou mais de R$100 e veio de vinícolas pequenas e bem pouco conhecidas dos críticos e do grande público.

O que nos comove nos vinhos, claramente, não é o valor, a origem ou o renome: é sentir o trabalho bem feito do produtor e do enólogo se confirmando na boca, unindo as pessoas que estão bebendo e sendo parte de uma experiência feliz.

Bebemos vinhos porque gostamos das histórias de como eles foram feitos e das histórias que eles rendem depois de serem bebidos. É um item de consumo, de luxo e de desejo para nós e para todos, sem dúvida alguma.

Mas, verdade seja dita: cada um com a sua perspectiva de prazer!

Fonte: HuffPost Brasil

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