Agradar garante a sobrevivência?

Por Marco Jacob | 11/10/2020

Última atualização em 12/10/2020 09:49

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A sobrevivência através das relações, agradar para incluir sem perder a essência. 

Por Verena Schultz – Especial Gazeta do Cerrado

Uma das características do ser humano é que ele é um ser relacional, ou seja, precisa e depende de relações para existir. Por sermos assim, temos a necessidade de pertencimento, que é o desejo de ser reconhecido e fazer parte de um grupo.

Desde a infância

Desde criança aprendemos que não podemos incomodar os outros e que devemos agradá-los. Por exemplo, você talvez se lembre de uma situação em que sua mãe ou seu pai o repreendeu por ter incomodado alguém ou a eles mesmos. Outro exemplo é na escola, onde você provavelmente já deve ter tido alguma experiência em que agradou alguém e foi recompensado por isso. Ou seja, desde criança aprendemos que é importante agradar os outros para sermos aceitos.

A escolha e a permanência em grupos

Compreendemos então que, para nos encaixarmos em algum grupo, precisamos que as pessoas gostem da gente e para isso buscamos agradá-las. Assim, muitas vezes as pessoas optam por uma profissão que ela sabe que os pais gostariam que seguisse, a fim de se sentir parte dos costumes e desejos da família, podendo viver anos atuando na profissão em que não se sente bem. Isso não significa que essa pessoa não execute bem a sua função na profissão escolhida, significa apenas que é possível que essa pessoa não se sinta realizada profissionalmente, podendo sentir frustração e insatisfação com suas escolhas.

Agradar para alcançar objetivos?

Agradar os outros aumenta a chance de alcançar nossos objetivos como trabalho, relacionamentos, posses, poder, enfim, tudo o que quisermos. Afinal, quem não quer ser agradado?

Essa sensação de pertencimento e de que as pessoas gostam da nossa companhia é boa e importante para nossa saúde mental. Estarmos conscientes de quem somos e onde estamos é essencial para sermos capazes de compreender nossos limites, nossas forças, nossa rede de apoio e planejarmos um futuro, conquistando objetivos que façam sentido para nós.

Quanto agradar os outros passa a ser prioridade

O problema surge quando “agradar os outros” passa a ser uma prioridade na nossa vida, nos impedindo de pensar em nós mesmos. Quando entramos nesse processo passamos mais tempo preocupados com o que os outros vão pensar e como eles vão se sentir e esquecemos de pensar em como nós estamos nos sentindo. Com o passar do tempo, vivendo nesse movimento de frequentemente nos deixar de lado para agradar os outros, corremos o risco de nos misturar com o outro, perdendo nossa identidade.

Relacionamentos com base em agradar o outro

Um exemplo de perda de identidade acontece envolvendo um relacionamento amoroso onde esse comportamento de agradar o outro fica  mais evidente. Quando estamos comprometidos com um relacionamento o desejo de deixar o outro feliz faz parte, assim pode acontecer de o “sujeito 1” do relacionamento deixar de fazer algo porque o “sujeito 2” não se sente bem, ou o “sujeito 2” fazer algo que não gosta porque o “sujeito 1” quer fazer. Se isso se torna muito frequente o casal se mistura e perde sua individualidade, anulando seus próprios desejos e objetivos de vida. Tal situação pode levar ao aumento das discussões entre o casal, já que não se sentem satisfeitos com as escolhas que fizeram.

Perda da identidade

Perder nossa identidade pode gerar conflitos internos e externos, já que não nos reconhecemos e não nos satisfazemos mais. Podemos ter a sensação de que estamos perdidos, sem saber quem somos e onde estamos, o que gostamos ou não gostamos, sem saber muito bem o que vamos fazer daqui para frente. Com isso, é possível que passemos a criar expectativas as quais quase nunca serão atendidas, gerando frustração e raiva do outro e de si mesmo. Podemos perder a vontade de fazer as coisas, já que não faz sentido fazer aquilo, porque não é para mim que faço. Desta forma, podemos entrar num processo de afastamento das relações (isolamento, separações de casais e família), possibilitando o surgimento de transtornos como ansiedade ou depressão.

Quais são nossas prioridades?

Para evitar que isso aconteça é sempre muito importante que a gente busque estar mais presente na nossa vida, observando os processos que estamos vivenciando. É importante que fiquemos mais atentos às nossas prioridades, nossas escolhas e decisões. Identificar o que está acontecendo é o passo inicial. Busque conversar com as pessoas com quem você convive sobre o que você sente, deseja e pensa, e faça mais atividades que você gosta. Assim você pode ser honesto e verdadeiro com o outro e consigo mesmo.

Como resolver?

Falar sobre o que você sente pode ser desafiador. Talvez você se sinta envergonhado ou com receio do que o outro vai pensar e sentir com o que disser, e claro que você não quer ofender ou magoar o outro. Mas gostaria de destacar a importância de falar sobre si mesmo e seus sentimentos, porque isso pode ser o início da solução de muitos problemas, e somente assim o outro saberá como você realmente se sente, inclusive você mesmo, afinal, ninguém tem poderes adivinhatórios.

Agrade a si mesmo

Agradar o outro é algo positivo, principalmente se você tem uma relação com alguém ou um grupo e deseja mantê-la, desde que você esteja consciente do que está fazendo. Lembre-se sempre de agradar a si mesmo também, se separar daquilo que é do outro, preservando suas características individuais. E se você tiver dificuldade em se perceber e se ajudar sozinho, peça ajuda para sua rede de apoio ou busque um profissional qualificado.

 

A Psicóloga Verena Schultz, estuda a Geltalt Terapia é bailaria e professora de ballet clássico

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