CEO do Carrefour se posiciona na TV e assume compromisso de ajudar a combater o racismo estrutural

Por Maju Cotrim | 22/11/2020

Última atualização em 22/11/2020 08:03

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O CEO do Grupo Carrefour no Brasil, Noel Prioux, se pronunciou neste sábado (21.nov.2020) sobre a morte do autônomo João Alberto Freitas, de 40 anos, conhecido como Beto, que foi assassinado durante a abordagem de seguranças de uma loja da empresa, em Porto Alegre, na noite de 5ª feira (19.nov.2020).

O comunicado foi exibido inicialmente na TV Globo, durante o intervalo do Jornal Nacional, e replicado posteriormente na internet. Em pouco mais de 1 minuto, Prioux e o vice-presidente de Recursos Humanos do grupo, João Senise, afirmaram que o caso de João Alberto não representa os valores da empresa.

Prioux pediu desculpas à família de João Alberto. Classificou o espancamento como tragédia e afirmou que não tinha condições de compreender completamente o tamanho da dimensão do caso.

“O que aconteceu na loja do Carrefour foi uma tragédia de dimensões incalculáveis, cuja extensão está além da minha compreensão, como homem branco e privilegiado que sou. Então, antes de tudo, meus sentimentos à família de João Alberto e meu pedido de desculpas aos nossos clientes, à sociedade e aos nossos colaboradores”, disse Prioux.

Senise afirmou que mais da metade dos colaboradores do Carrefour no Brasil são negros e negras. Também garantiu que mais de 30% dos gestores se autodeclaram pretos ou pardos. “O que aconteceu em nossa loja não representa quem somos e nem os nossos valores. Cinquenta e sete por cento dos nossos colaboradores são negras e negros e mais de um terço dos nossos gestores se autodeclaram pretos ou pardos. Mas estamos conscientes que precisamos de mais ações concretas e efetivas para o fortalecimento da nossa cultura de diversidade”, disse.

No vídeo, o Prioux também afirmou que a morte de João Alberto servirá como estímulo ao compromisso da empresa em combater o racismo estrutural no Brasil.

“Reforço meu compromisso com todas as famílias brasileiras. Se uma crise como essa está acontecendo conosco é porque temos a responsabilidade de mudar isso na sociedade. A morte de João Alberto não pode passar em vão. E é por isso que assumimos hoje o compromisso de ajudar a combater o racismo estrutural. Comunicaremos nos próximos dias todas as nossas iniciativas e o comitê dedicado exclusivamente a esta causa. Mais uma vez, minhas sinceras desculpas”, afirmou.

CONTEXTO

João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, conhecido como Beto pelos amigos, foi agredido em uma unidade do supermercado Carrefour em Porto Alegre (RS), na noite de 5ª feira (19.nov.2020) –véspera do Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro.

Os 2 suspeitos, Giovane Gaspar da Silva, policial militar de 24 anos e o segurança Magno Braz Borges, de 30 anos, foram presos em flagrante.

A Brigada Militar, como é chamada a Polícia Militar no Rio Grande do Sul, informou que o espancamento começou depois de desentendimento entre a vítima e uma funcionária do supermercado, que fica na zona norte da capital gaúcha. A vítima teria ameaçado bater na funcionária, que chamou a segurança.

Depois de a segurança do supermercado chegar, Freitas foi levado da área de caixas para a entrada da loja e teria, segundo apurou a Polícia Civil, iniciado a briga depois de dar 1 soco no policial militar. Em seguida, a vítima foi espancada pelos homens.

Nas imagens que circulam nas redes, é possível ver 2 homens vestindo roupa preta, comumente usada por seguranças, dando socos no rosto de Freitas, que está no chão.

Uma mulher que estava próxima deles parece filmar a ação dos agressores. Em seguida, já com sangue espalhado pelo chão, outras pessoas aparecem em volta do homem agredido, enquanto os 2 agressores continuam tentando mobilizá-lo no chão.

Uma equipe do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) tentou reanimar o homem depois que ele foi espancado, mas Freitas morreu no local.

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