Parque Estadual do Cantão - Foto: Flávio Cavalera/Governo do Tocantins
Parque Estadual do Cantão - Foto: Flávio Cavalera/Governo do Tocantins

 O Parque Estadual do Cantão é um dos patrimônios ambientais mais extraordinários do Brasil. Localizado no oeste do Tocantins, na transição entre o Cerrado e a Amazônia, o parque abriga cerca de 800 lagos interligados, rios de águas calmas e uma biodiversidade que impressiona pesquisadores, ambientalistas e todos que têm a oportunidade de conhecê-lo.

Criado em 14 de julho de 1998, o Cantão foi a primeira unidade de conservação de proteção integral instituída pelo Governo do Tocantins, tornando-se um marco histórico da política ambiental estadual e referência na implementação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) e, posteriormente, do Sistema Estadual de Unidades de Conservação (SEUC). A gestão das unidades de conservação estaduais no Tocantins é de responsabilidade do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), órgão executor da política ambiental e fundamental na proteção e manejo dessas áreas.

Ao longo de sua trajetória, a gestão adotou uma abordagem restritiva em relação ao uso público, inclusive ao ecoturismo, como estratégia de precaução para assegurar a preservação de um ecossistema extremamente sensível e ainda pouco conhecido à época. Essa opção contribuiu de forma decisiva para a manutenção de seus processos ecológicos, da biodiversidade e da integridade de suas paisagens ao longo de mais de duas décadas.

No entanto, a própria legislação ambiental brasileira, tanto no âmbito do SNUC quanto do SEUC, reconhece que a conservação pode, e deve ser compatibilizada com o uso público planejado, ordenado e monitorado, desde que respeitados os objetivos da unidade e definidos em seu plano de manejo. Preservar, portanto, não significa excluir, mas sim regular, educar e acompanhar.

Nesse contexto, a decisão do governador Wanderlei Barbosa de determinar a revisão do plano de manejo do Parque Estadual do Cantão representa um passo estratégico e responsável. A atualização permitirá estabelecer critérios técnicos, ambientais e operacionais para viabilizar o ecoturismo sustentável, com atividades como pesca esportiva controlada, trilhas aquáticas, observação de aves, turismo científico e ações de educação ambiental, sempre em consonância com os princípios da conservação.

A abertura responsável do parque ao uso público produz um efeito virtuoso: permite que a sociedade conheça, se encante e se aproprie positivamente desse patrimônio natural. E a experiência demonstra que quem conhece, protege. Ao aproximar as pessoas do Cantão, amplia-se a consciência ambiental, fortalece-se o apoio social à conservação e cria-se uma rede mais ampla de defensores desse território singular.

O Brasil já reúne exemplos consolidados de que esse modelo é viável e desejável. Unidades de conservação como a Reserva Mamirauá, o arquipélago de Anavilhanas e o Pantanal mostram que o uso público bem regulamentado contribui para a conservação, reforça a fiscalização, gera recursos para a gestão e promove desenvolvimento sustentável para as comunidades do entorno.

O Cantão reúne todas as condições para se tornar um destino de referência nacional e internacional, especialmente em segmentos como birdwatching, turismo de natureza e pesca esportiva sustentável. Poucos lugares no mundo concentram tantos lagos interligados, tamanha diversidade de aves e paisagens tão preservadas.

Ao revisar o plano de manejo, o Tocantins reafirma seu compromisso com uma política ambiental moderna, responsável e alinhada às melhores práticas nacionais e internacionais. O Cantão permanece como um santuário da biodiversidade, fiel aos princípios do SNUC e do SEUC, mas passa a cumprir também um papel estratégico como espaço de conhecimento, sensibilização ambiental e desenvolvimento sustentável, valorizando um dos maiores patrimônios naturais do Estado.

Marcello Lelis – Foto: Marcel de Paula

Marcello de Lima Lelis

Secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Tocantins