
O Tocantins terá dois projetos de restauração florestal na Área de Proteção Ambiental Ilha do Bananal/Cantão, que juntos vão recuperar 503 hectares de vegetação nativa no estado. As iniciativas foram inseridas no 4º ciclo do programa Restaura Amazônia, apoiado pelo Fundo Amazônia.
Ao todo, 11 projetos foram selecionados, somando R$ 69,5 milhões para ações de restauração ecológica na Amazônia Legal.
No Tocantins, os projetos serão executados pelas organizações Associação Humana Povo para Povo Brasil e Instituto Perene, ambos com atuação na APA Ilha do Bananal/Cantão, uma das áreas prioritárias para recuperação da vegetação nativa na região.
As iniciativas incluem recuperação de áreas degradadas, plantio de espécies nativas e fortalecimento de cadeias produtivas associadas à restauração florestal.
O anúncio do resultado foi realizado em Brasília, durante o Workshop Restauração em Escala – Integração Federativa para a Recuperação da Vegetação Nativa, que reuniu representantes do governo, setor produtivo e organizações da sociedade civil para debater estratégias de ampliação da restauração florestal no país.
“O Brasil tem uma oportunidade histórica de liderar o mercado global de restauração florestal. Ao apoiar iniciativas como o Restaura Amazônia, o governo do Brasil, por meio do BNDES, contribui para transformar áreas degradadas em novas florestas produtivas, gerando renda, empregos e soluções climáticas baseadas na natureza”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a importância de mecanismos como o Fundo Amazônia para impulsionar um novo ciclo de desenvolvimento sustentável na região.
“Meio ambiente e desenvolvimento fazem parte da mesma equação. Quando temos políticas públicas bem desenhadas e com continuidade, conseguimos resultados como transformar o antigo arco do desmatamento no arco da restauração. Municípios que param de desmatar precisam de meios para restaurar e manter suas florestas em pé, gerando emprego e renda. Mas nada disso é possível sem combater o ilegal, porque tudo que queremos é que o desenvolvimento sustentável aconteça em todas as suas dimensões: econômica, social, ambiental, cultural, política, ética e estética. Um mundo mais preservado é também um mundo mais bonito”, afirmou.
Projetos selecionados
O quarto ciclo de editais teve como foco Unidades de Conservação prioritárias e contou com três chamadas públicas organizadas por parceiros gestores em diferentes macrorregiões da Amazônia Legal.
Foram selecionadas iniciativas apresentadas por organizações da sociedade civil, institutos de pesquisa e cooperativas, entre elas SOS Amazônia, Itaipu Parquetec, Coopfish, Cooperxapuri, Associação Humana Povo para Povo Brasil, Instituto Perene, IPAM, Fundação Rio Verde, WCS, Instituto Socioambiental (ISA) e Instituto Ibramar.
Na avaliação do secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, a restauração florestal se tornou um compromisso estratégico do país.
“O Brasil assumiu, no âmbito do Acordo de Paris e da sua primeira Contribuição Nacionalmente Determinada, o compromisso de restaurar 12 milhões de hectares até 2030. Essa agenda deixou de ser apenas uma política ambiental e passou a perpassar diversos programas de governo, e estamos avançando muito rapidamente”, disse.
Os projetos selecionados atuarão em áreas estratégicas da Amazônia Legal, incluindo a Reserva Extrativista Chico Mendes (AC), o Parque Nacional Campos Amazônicos e as Florestas Nacionais do Jamari e do Jacundá (RO), a APA Ilha do Bananal/Cantão (TO), a APA Cabeceiras do Rio Cuiabá e a Estação Ecológica do Rio Roosevelt (MT), além da Reserva Biológica do Gurupi, da Reserva Extrativista do Ciriaco e da Terra Indígena Awá (MA), bem como da Reserva Extrativista do Rio Iriri (PA).
Esses territórios são considerados prioritários para a restauração da vegetação nativa e para o fortalecimento de cadeias produtivas da bioeconomia associadas à recuperação florestal na Amazônia.
A diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destacou que a iniciativa articula conservação ambiental e desenvolvimento econômico local.
“A restauração da vegetação nativa também significa geração de renda, fortalecimento de cadeias produtivas e oportunidades para comunidades que vivem na floresta. O Restaura Amazônia apoia projetos que unem recuperação ambiental e inclusão produtiva”, afirmou.
Fundo Amazônia e Arco da Restauração
A iniciativa Restaura Amazônia é financiada com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES, sob coordenação do MMA. Criado em 2023, o programa apoia projetos de reflorestamento com espécies nativas e biodiversidade na Amazônia Legal, especialmente na região conhecida como Arco do Desmatamento, faixa que se estende do oeste do Maranhão e sul do Pará até Mato Grosso, Rondônia e Acre e que concentra historicamente os maiores índices de desmatamento da Amazônia. A estratégia do governo federal é transformar essa área no chamado Arco da Restauração, promovendo a recuperação de áreas degradadas e o desenvolvimento de uma economia baseada na floresta.
O edital contou também com recursos adicionais da Petrobras, que apoia iniciativas baseadas em soluções da natureza para conservação da biodiversidade, geração de renda e mitigação das mudanças climáticas.
Com o anúncio do quarto ciclo, o Restaura Amazônia consolida 12 chamadas públicas, somando 58 projetos de restauração ecológica e produtiva, com atuação em 17 Unidades de Conservação, 77 assentamentos e 35 Terras Indígenas, totalizando quase 15 mil hectares em processo de recuperação.