
Um fenômeno atmosférico pouco comum chamou a atenção de moradores de Palmas na tarde da última segunda-feira, 29, quando uma tromba d’água se formou sobre o Lago de Palmas. O momento foi registrado em vídeo pelo morador Mauricio William, que divulgou as imagens nas redes sociais, gerando curiosidade e apreensão entre internautas.
De acordo com o meteorologista da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), José Luis Cabral, apesar de estar associado às chuvas intensas típicas do período chuvoso, o fenômeno é considerado raro na capital e no Estado.
“Eu diria que é um evento raro. Contudo, as nuvens que produzem as pancadas de chuvas torrenciais na nossa região são as mesmas responsáveis por esse tipo de fenômeno”, explicou o meteorologista.
O que é uma tromba d’água?
Segundo José Luis Cabral, a tromba d’água faz parte de um conjunto de fenômenos atmosféricos semelhantes, que recebem denominações diferentes conforme a região e o ambiente em que ocorrem.
“São diversos nomes para um mesmo fenômeno meteorológico. Por exemplo, tufão, tornado e furacão têm os mesmos princípios físicos, sendo nomeados de acordo com a região, a intensidade e se ocorrem dentro ou fora da água”, esclareceu.
No caso registrado em Palmas, a tromba d’água se formou sobre o lago, caracterizando um redemoinho de vento associado a nuvens de grande desenvolvimento vertical.
O meteorologista explica que o fenômeno foi provocado por nuvens do tipo cúmulo-nimbus, comuns nesta época do ano na região Norte do país.
“Em geral, são as cúmulo-nimbus, conhecidas na nossa região durante o período chuvoso, que geram esse tipo de evento”, afirmou.
Ele destaca que as altas temperaturas, a umidade elevada e a instabilidade atmosférica desta semana contribuíram diretamente para a formação da tromba d’água.
“Estamos em pleno período chuvoso, e essas surpresas aparecem, como ocorreu recentemente com a chuva de pedras de gelo”, pontuou.
Sobre a força do fenômeno, Cabral afirma que a intensidade pode variar bastante.
“É muito relativo. A intensidade depende diretamente do grau de instabilidade atmosférica no momento da formação”, explicou.
Embora não tenha sido possível classificar com precisão a tromba d’água registrada no Lago de Palmas como fraca, moderada ou forte, o meteorologista alerta que mesmo eventos de menor intensidade oferecem riscos, especialmente para quem está sobre a água.
“No nosso lago, até os ventos fortes do período de estiagem já são perigosos”, ressaltou.
Entre os principais riscos estão a instabilidade para barcos, lanchas, jet skis e também para pessoas que estejam na orla.
Como agir ao avistar uma tromba d’água
A orientação principal é sair imediatamente da rota do fenômeno.
“O ideal é sair da rota dele, de forma semelhante ao que se recomenda em casos de redemoinhos de vento”, orientou Cabral.
Sempre que possível, a recomendação é deixar a água e buscar abrigo em terra firme, evitando permanecer em embarcações ou áreas expostas.
O meteorologista alerta que uma tromba d’água pode, sim, atingir a margem e causar prejuízos.
“Sim, isso é possível, como já aconteceu com as ventanias registradas na Praia do Funil”, lembrou.
Esses eventos podem provocar danos em estruturas leves, quiosques, embarcações e vegetação próxima à orla.
Segundo Cabral, a duração de uma tromba d’água é variável.
“Dependendo da intensidade, pode durar minutos ou até apenas alguns segundos”, explicou.
O meteorologista reforça que, embora raro, o fenômeno pode ocorrer novamente durante a estação chuvosa, exigindo atenção redobrada da população, especialmente de quem frequenta áreas próximas a rios, lagos e represas.