O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulga foto de Nicolás Maduro após captura do líder venezuelano no dia 4 de janeiro de 2026 — Foto: Reprodução
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulga foto de Nicolás Maduro após captura do líder venezuelano no dia 4 de janeiro de 2026 — Foto: Reprodução

Após a ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela, que culminou na captura do presidente Nicolás Maduro, o presidente americano Donald Trump afirmou que uma possível nova operação militar, desta vez contra a Colômbia, “soa bem” para ele.

Trump fez duras críticas ao presidente colombiano Gustavo Petro, a quem chamou de “homem doente”. Segundo o republicano, a Colômbia estaria envolvida na produção e no envio de cocaína aos Estados Unidos. “A Colômbia também está muito doente, governada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos — e isso não vai continuar por muito tempo”, declarou Trump a jornalistas, a bordo do Air Force One, na noite de domingo (4).

Questionado sobre a possibilidade de uma ação militar americana contra o país sul-americano, o presidente respondeu de forma direta: “Soa bem para mim”. Em outubro de 2025, o governo dos EUA já havia imposto sanções a Gustavo Petro.

O presidente americano também criticou o México, afirmando que o país precisa “se organizar”. “Temos que fazer alguma coisa em relação ao México”, disse.

Em resposta, Gustavo Petro repudiou nesta segunda-feira (5) as declarações de Trump, classificando-as como uma “ameaça ilegítima” e acusando o governo dos Estados Unidos de agir por interesses políticos ao atacar verbalmente a Colômbia.

Trump também comentou a situação de Cuba, afirmando que uma intervenção militar americana provavelmente não será necessária. Segundo ele, o país estaria próximo de um colapso interno. “Cuba está prestes a ser nocauteada”, afirmou.

As declarações de Trump ocorrem após a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, durante uma operação das forças americanas em Caracas, na madrugada de sábado (3).

Governo interino na Venezuela

Com a retirada de Maduro do poder, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o cargo de presidente interina da Venezuela. A decisão foi tomada pelo Tribunal Supremo de Justiça do país, com o objetivo de garantir a continuidade administrativa e a defesa nacional.

As Forças Armadas venezuelanas reconheceram Rodríguez como presidente interina. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, confirmou em pronunciamento oficial que ela permanecerá no cargo por um período inicial de 90 dias.

No domingo, Trump afirmou que os Estados Unidos estão “no comando” da Venezuela após a captura de Maduro. Questionado se havia conversado com Delcy Rodríguez, respondeu de forma evasiva e, ao ser pressionado, declarou: “Isso significa que nós estamos no comando”.

“Quarentena do petróleo”

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, adotou um tom mais cauteloso ao afirmar que o país não terá participação direta no governo venezuelano. Segundo ele, os Estados Unidos se limitarão a manter a chamada “quarentena do petróleo”, já aplicada anteriormente a navios-tanque sancionados.

De acordo com Rubio, a medida será usada como instrumento de pressão para promover mudanças políticas no país. “Esperamos ver mudanças na forma como a indústria do petróleo é administrada e também no combate ao tráfico de drogas”, afirmou em entrevista à emissora CBS.

Maduro detido em Nova York

Nicolás Maduro chegou a um centro de detenção em Nova York na noite de sábado (3), após ser capturado em Caracas por autoridades americanas. Ele foi levado sob custódia ao escritório da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), onde foi fichado. Imagens da escolta foram divulgadas por um perfil oficial da Casa Branca.

Em coletiva, Trump afirmou que os Estados Unidos avaliam os próximos passos em relação à Venezuela e que o país poderá ser conduzido temporariamente por um grupo em formação até uma transição de poder, sem detalhar prazos.

A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, anunciou que Maduro e Cilia Flores serão julgados pela Justiça americana, em Nova York. Ambos foram formalmente acusados de crimes relacionados ao narcotráfico.

ONU e audiência judicial

O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir nesta segunda-feira (5), por volta das 12h (horário de Brasília), para discutir a legalidade da captura do presidente venezuelano.

Maduro deve comparecer à Justiça americana ainda nesta segunda, às 14h, em audiência no Tribunal Distrital Federal de Manhattan, diante do juiz Alvin K. Hellerstein. Cilia Flores também deverá ser apresentada ao tribunal junto com o marido.

Fonte: g1 Mundo