Alunos estão sem aulas há três semanas devido a fortes chuvas no TO

As fortes chuvas que atingiram o sul do Tocantins provocaram danos severos em Sandolândia e deixaram comunidades rurais praticamente isoladas. Estradas destruídas, pontes levadas pela força da água e córregos cheios impediram a circulação de veículos e interromperam serviços básicos.

Ao menos 180 famílias ficaram isoladas, segundo levantamento das autoridades locais. A situação também afetou diretamente a educação: estudantes da zona rural estão há cerca de três semanas sem aulas, já que os ônibus escolares não conseguem acessar as comunidades.

“Ficamos ilhados, com os carros do lado de lá, eu e meus filhos também. Quando o córrego enche, ficamos sem acesso”, relatou o diretor escolar Adauto Campos, ao descrever a realidade enfrentada por moradores da região.

Um relatório técnico da Defesa Civil do Tocantins indica que o nível de rios e córregos subiu rapidamente, ultrapassando a média histórica registrada para a área. Entre os estragos mais graves está a queda de quatro pontes, nas regiões dos córregos Barreiro, Caeté, Rio do Fogo e na área da Fazenda São Pedro.

Justiça determina ações imediatas

Diante da gravidade da situação, a prefeitura decretou situação de emergência. No domingo, 8, uma decisão liminar da Justiça determinou que o Governo do Estado e o município adotem providências urgentes para atender as comunidades atingidas.

A decisão estabelece prazos curtos para as primeiras medidas. O governo estadual deve enviar engenheiros e equipes da Defesa Civil ao município em até 24 horas para avaliar os danos diretamente nas áreas afetadas.

Além disso, Estado e prefeitura têm até 72 horas para iniciar a construção de passagens provisórias e pontes de madeira, com o objetivo de restabelecer o acesso das comunidades e permitir a retomada do transporte escolar. A determinação também prevê a criação de pontos de apoio para distribuição de alimentos e medicamentos.

Caso as medidas não sejam cumpridas, foi fixada multa diária de R$ 10 mil contra os entes públicos responsáveis.

Ministério Público cobra prevenção

O caso também mobilizou o Ministério Público do Tocantins, que cobra rapidez nas ações e reforça a necessidade de planejamento para enfrentar períodos de chuva intensa.

“As chuvas são esperadas. É preciso preparo para que não causem esses constrangimentos e não afetem direitos básicos da comunidade tocantinense”, afirmou o promotor José Maria Neto.

Força-tarefa estadual

O governo do estado informou que Sandolândia já fazia parte do cronograma de atendimento emergencial. A Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura do Tocantins (Ageto) anunciou que inicia nesta quarta-feira, 11, ações de recuperação da infraestrutura viária no município.

Para os trabalhos serão utilizadas máquinas como caçamba e retroescavadeira, voltadas à recuperação de pontos críticos das estradas vicinais.

As intervenções devem priorizar áreas consideradas estratégicas, como os assentamentos Bandeirante e Cachoeira, a região da Barra do Rio, acesso à Ilha do Bananal e a comunidades indígenas, além do distrito de Dorilândia, no Vajadão.

Apoio técnico e busca por recursos

Equipes da Defesa Civil do Tocantins já realizaram vistorias técnicas no município e prestaram apoio à Defesa Civil municipal na avaliação dos danos. Os técnicos também auxiliaram a prefeitura no preenchimento do Formulário de Informações do Desastre (FIDE), documento necessário para solicitar ao governo federal o reconhecimento oficial da situação de emergência.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins