
A prefeita de Gurupi, Josi Nunes, publicou um vídeo nas redes sociais na tarde desta terça-feira, 03, se posicionando sobre a repercussão envolvendo a diretora da Escola Municipal Odair Lúcio. A gestora afirmou que determinou a apuração imediata dos fatos e reforçou que a administração municipal não compactua com qualquer violação de direitos das pessoas com deficiência.
“Quero reafirmar de forma muito clara que a nossa gestão sempre teve compromisso com a inclusão, com o acolhimento e com a garantia de direitos das nossas crianças atípicas. Essa não é apenas uma pauta administrativa, é uma causa que defendemos com convicção”, declarou.
A manifestação ocorre após a circulação de um vídeo em que a diretora Carla Martins comenta situações envolvendo crianças com transtorno. Na gravação, ela afirma que “limite todo ser humano precisa ter” e diz que não saiu de casa “para apanhar”. Em outro trecho, declara que cada responsável deve “cuidar” da própria criança e que “ser humano nasceu para ser treinado”. A fala foi interpretada por parte do público como possível defesa de revide físico em ambiente escolar.
A repercussão levou o Instituto Via Autismo a divulgar nota pública de repúdio, classificando a declaração como incompatível com os princípios da educação inclusiva. A entidade ressaltou que crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) são pessoas com deficiência, protegidas por lei, e solicitou apuração dos fatos e esclarecimentos formais.
A Câmara Municipal de Gurupi também se manifestou, afirmando que não compactua com qualquer discurso que possa ser interpretado como incentivo à violência ou revide contra crianças. O Legislativo defendeu que conflitos no ambiente escolar sejam tratados com diálogo, capacitação e suporte especializado.
No vídeo divulgado nesta terça-feira, a prefeita destacou a estrutura da rede municipal voltada ao atendimento de estudantes com necessidades específicas. Segundo ela, Gurupi conta atualmente com 24 salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE), todas com professores especialistas, além de profissionais de apoio que acompanham cerca de 400 estudantes diagnosticados com TEA.
A gestora também mencionou a atuação de uma equipe multidisciplinar formada por coordenação, supervisão, assistentes sociais e psicólogas, responsável pelo suporte às escolas e acompanhamento das famílias. “Garantimos que cada criança tenha um plano individualizado e respeitado em suas necessidades”, afirmou.
De acordo com Josi Nunes, a rede promove capacitações contínuas para servidores da educação e mantém, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, o projeto “Acolhendo as Cores”, voltado ao atendimento especializado de crianças com TEA.
“Desde que tomei conhecimento do ocorrido, determinei a apuração imediata dos fatos. Vamos conversar com todos os envolvidos, analisar com responsabilidade e tomar todas as medidas cabíveis e legais que o caso exige”, declarou.
A Prefeitura informou que seguirá com a análise interna da situação. Até o momento, não houve divulgação de eventual decisão administrativa relacionada à direção da unidade escolar.