
As notificações de casos suspeitos de dengue triplicaram nos últimos dois meses, quando comparadas ao mesmo período de 2025. Recentemente, a Prefeitura de Araguaína comunicou o cenário crítico que envolve a doença, com 1.080 casos notificados, sendo 302 confirmados, 255 descartados e 523 ainda aguardando resultados de exames laboratoriais, além de três mortes suspeitas.
No dia a dia do Pronto Atendimento Infantil (PAI), da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Anatólio Dias Carneiro e do Hospital Municipal de Araguaína (HMA), unidades geridas pelo Instituto Saúde e Cidadania (ISAC), os pacientes com quadros suspeitos de dengue têm sido uma demanda constante.
Os testes rápidos para o quadro, inclusive, estão sendo repostos em regime de urgência e, ainda assim, logo ficam em falta, segundo explica Waldemar Cardoso, diretor-geral das unidades ISAC em Araguaína. “Nós temos a testagem rápida, que ajuda na identificação e na conduta médica, mas a alta demanda está fazendo com que tenhamos que fazer compras mais frequentes”, destaca.
A dengue é uma doença que, em geral, evolui sem complicações na maioria das pessoas. Contudo, existe um percentual importante que apresenta o tipo hemorrágico e que precisa de cuidados hospitalares para reduzir as chances de morte.
“Existem quatro sorotipos do vírus da dengue, então a pessoa pode ter dengue quatro vezes ao longo da vida”, explica o Dr. Tobias Garcez, médico infectologista. “Por isso, é muito importante que a população tome todas as precauções”, complementa.
O especialista esclarece, ainda, que não há informações sobre qual ou quais subtipos estão circulando na cidade atualmente e que o ideal é manter a proteção física com roupas, repelentes e, se possível, realizar a vacinação disponível.
Sintomas e alerta: o que o paciente deve saber
Os sintomas iniciais da dengue são muito confundidos com a gripe, mas a febre alta, a dor no corpo e as pintinhas pelo corpo são quadros que ajudam a fazer o diagnóstico diferencial, como esclarece o Dr. João Paulo Suleiman, diretor técnico da UPA de Araguaína.
“Não existe remédio para curar a dengue, é preciso esperar que o corpo faça o trabalho de combater o vírus. O que podemos fazer é trabalhar nos sintomas e na reidratação do paciente, que é um dos maiores motivos de má evolução do quadro”, afirma.
O médico reforça ainda que a dengue é mais perigosa quando os sintomas estão na fase final. Então, quando o paciente chega na UPA com sinais de gravidade da doença, os sinais clássicos já foram embora, por isso é fundamental relatar todo o ocorrido ao clínico para iniciar com as condutas adequadas.
Outro ponto de alerta para todas as faixas etárias é se o paciente melhorou após cinco dias e teve uma piora brusca depois. Se isso acontecer, significa que ele precisa de atendimento de urgência, pois há chances de ter evoluído para dengue hemorrágica.
Suspeita de dengue em crianças
Nas crianças, o diagnóstico de dengue é igualmente desafiador, conforme relata a Dra. Kaoma Vaz, coordenadora técnica do PAI. “É necessário um histórico clínico bem detalhado e que os pais identifiquem os sinais de alarme, como dor abdominal, vômitos persistentes, tontura ou sensação de desmaio. Em caso de sangramento nasal ou de gengiva, prostração ou irritabilidade, deve-se levar a criança ao PAI imediatamente”, pontua.
A médica também orienta o uso de repelentes infantis para as crianças e a vacinação para dengue na rede pública para todas as crianças de 10 a 14 anos e na rede particular, acima de 4 anos até 60 anos.
Por fim, os especialistas informam também que é fundamental que, ao suspeitar de dengue, o paciente siga as orientações médicas sobre o uso de medicamentos adequados, mantenha o repouso e a hidratação até que todos os sintomas tenham cessado.