
A polêmica envolvendo a vereadora de Porto Nacional, Diva Cardoso, ganhou novos desdobramentos após a divulgação de uma nota pública do Coletivo Somos, que criticou duramente o posicionamento da parlamentar.
No documento, o Coletivo afirma que as declarações da vereadora, feitas após a deputada federal Erika Hilton assumir a presidência da Comissão das Mulheres na Câmara, expõem uma “contradição” no discurso de defesa dos direitos femininos.
Segundo o Somos, não há coerência em questionar a atuação de uma parlamentar em nível nacional enquanto, no âmbito local, faltariam estruturas básicas voltadas às políticas públicas para mulheres. “Não é possível sustentar um discurso de ‘defesa das mulheres’ quando a própria Câmara Municipal sequer possui uma comissão permanente estruturada para tratar desses temas”, diz trecho da nota.
O Coletivo também aponta a ausência de um espaço institucional no Legislativo municipal para debater pautas como violência doméstica, feminicídio, saúde e autonomia econômica. Para o grupo, esses seriam os temas prioritários que deveriam mobilizar os vereadores.
Além das críticas à estrutura local, a nota também classifica a fala da vereadora como excludente. De acordo com o coletivo, ao questionar a legitimidade de mulheres trans ocuparem espaços de representação, o discurso reforça a negação de direitos e identidades.
“O debate não é apenas de opinião, mas de dignidade humana”, destaca o texto, que também menciona entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre o enquadramento da transfobia em dispositivos semelhantes aos do crime de racismo.
Entenda o caso
A repercussão começou após declaração de Diva Cardoso sobre a nomeação de Erika Hilton para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados.
Na ocasião, a vereadora defendeu que a condição de mulher está ligada a fatores biológicos, como genética e capacidade de gestação. “Ser mulher envolve experiências únicas”, afirmou.
A fala gerou reações nas redes sociais e foi interpretada por críticos como excludente em relação a mulheres trans. Já apoiadores consideram o posicionamento uma defesa de critérios biológicos na representação feminina.
Debate ampliado
Na nota, o Coletivo Somos também provoca uma reflexão social sobre a presença de mulheres trans em diferentes espaços, como trabalho, educação e liderança, e afirma que a ocupação desses espaços “incomoda por desafiar padrões históricos”.
O grupo ainda argumenta que a inclusão de mulheres trans não retira direitos de mulheres cis, mas amplia o debate e fortalece políticas de enfrentamento à violência de gênero.