
Um vídeo simples, gravado pela primeira vez por quem nunca teve o hábito de se expor nas redes sociais, transformou a dor de uma família em um debate público. Em Paraíso do Tocantins, a aposentada Dona Fátima Araújo decidiu falar depois de ver a neta, Emanuele, voltar para casa chorando mais uma vez por causa do cabelo afro.
“Eu cansei. Eu tô triste”, diz ela logo no início da gravação, que rapidamente se espalhou por páginas locais e grupos de mensagens. Segundo a avó, a menina passou a sofrer comentários ofensivos após mudar de escola ao ingressar no sexto ano.
De acordo com o relato, colegas questionam diariamente o cabelo da estudante. Em um dos episódios que mais abalou a família, uma aluna teria perguntado se Emanuele “levou choque em casa”, associando o volume dos fios a algo anormal. “Ela vai com laço no cabelo todo santo dia. Nossa família acha ela linda, maravilhosa. Mas tem dia que ela chora”, contou a avó.
Dona Fátima afirma que nunca havia feito um vídeo antes, mas decidiu se posicionar ao perceber o impacto emocional na neta. “Você que acha que esse cabelo não é normal, que precisa alisar para ficar linda, pare com isso. Você está machucando”, declarou. Segundo ela, professores chegaram a notar a tristeza da aluna em sala.
A família relata que, além dos comentários de colegas, também já ouviu sugestões de que a menina deveria “alisar” ou “baixar” o cabelo. “Nós amamos ela do jeito que ela é”, reforçou a avó, emocionada.
O desabafo repercutiu fortemente nas redes sociais. Internautas manifestaram apoio à família e classificaram os episódios como racismo e discriminação. A página Onlines de Paraíso informou que, após tomar conhecimento da situação, uma escola particular da cidade ofereceu bolsa de estudos para Emanuele.