
Uma declaração atribuída à diretora da Escola Municipal Odair Lúcio, em Gurupi, provocou reação de entidades e do Legislativo municipal. O Instituto Via Autismo divulgou nota pública de repúdio, enquanto a Câmara Municipal de Gurupi também se manifestou oficialmente.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, a diretora Carla Martins comentou críticas relacionadas a postagens anteriores sobre crianças com transtorno. Na gravação, ela afirma que “limite todo ser humano precisa ter” e declara que não saiu de casa “para apanhar”. Em outro trecho, diz que cada responsável deve “cuidar” da própria criança e que “ser humano nasceu para ser treinado”. A fala foi interpretada por parte do público como possível defesa de revide físico diante de agressões praticadas por alunos.
Diante da repercussão, o Instituto Via Autismo publicou nota classificando a manifestação como incompatível com os princípios da educação inclusiva. A entidade destacou que crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) são pessoas com deficiência, protegidas por lei, com direito à integridade física e psicológica. O instituto solicitou apuração imediata dos fatos, esclarecimentos sobre o episódio mencionado e informações sobre eventuais providências administrativas.
Na nota, o Instituto também afirmou que, caso não haja medidas efetivas, poderá adotar providências junto às autoridades competentes.
A Câmara Municipal de Gurupi também se posicionou. Em comunicado, o Legislativo declarou que não compactua com qualquer manifestação que possa ser interpretada como incentivo à violência ou revide contra crianças, inclusive aquelas diagnosticadas com TEA.
Segundo a Casa de Leis, conflitos no ambiente escolar devem ser tratados com diálogo, capacitação profissional, acompanhamento especializado e suporte institucional, e não com enfrentamento físico. A Câmara ressaltou ainda que tem promovido debates e audiências públicas sobre inclusão, educação especial e fortalecimento da rede de apoio às crianças atípicas.
O que diz a Prefeitura
Até o momento, não houve divulgação de nota oficial da direção da unidade escolar ou da Secretaria Municipal de Educação sobre o caso. O espaço permanece aberto para manifestação.