Nova Olinda
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O Ministério Público do Tocantins (MPTO) abriu um inquérito civil para investigar possíveis irregularidades em uma obra de R$ 1,4 milhão destinada à reforma e ampliação da sede da Câmara Municipal de Nova Olinda, no norte do estado. A apuração mira o contrato firmado com a empresa Engenorte Empreendimentos Ltda. e envolve suspeitas que vão desde sobrepreço e fraude em licitação até nepotismo cruzado e uso indevido de máquinas da prefeitura.

A investigação foi formalizada por meio de portaria assinada pelo promotor de Justiça Pedro Jainer Passos Clarindo da Silva, da 14ª Promotoria de Justiça de Araguaína, na última semana.

O procedimento teve início após uma denúncia anônima enviada à Ouvidoria do Ministério Público, que apontava possíveis irregularidades em contratos firmados com a construtora. Entre eles estão a Tomada de Preços nº 001/2022 e a Concorrência Eletrônica nº 001/2025, que resultou no contrato de R$ 1.406.990 para as obras no prédio do Legislativo.

Documentos do contrato mostram que R$ 89,1 mil seriam destinados à reforma da estrutura já existente, enquanto cerca de R$ 1,31 milhão está previsto para a ampliação do prédio. O projeto inclui a construção de novos espaços, adequações estruturais, melhorias nas instalações e adaptações de acessibilidade.

O contrato foi adjudicado, homologado e assinado em 17 de setembro de 2025, durante a gestão do então presidente da Câmara, Francisco Santos da Silva Junior. O prazo de execução previsto para a obra é de 240 dias.

Com a conversão da denúncia inicial em inquérito civil, o Ministério Público passa a realizar diligências mais amplas para reunir documentos e identificar possíveis responsáveis. Caso as suspeitas sejam confirmadas, os fatos podem caracterizar atos de improbidade administrativa com prejuízo ao erário, conforme prevê a Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/1992).

Entre as primeiras medidas determinadas pelo MP está o pedido para que a Câmara Municipal suspenda temporariamente novos pagamentos relacionados ao contrato, até que as denúncias sejam esclarecidas. O Legislativo também deverá encaminhar cópia completa dos processos licitatórios investigados.

A Promotoria solicitou ainda apoio técnico do Centro de Apoio Operacional (CAOP) de Engenharia, que ficará responsável por analisar os projetos e as planilhas orçamentárias da obra. O objetivo é verificar se houve sobrepreço ou práticas consideradas antieconômicas.

Outra frente da investigação envolve a possível utilização de maquinário pesado da Prefeitura de Nova Olinda nas obras da Câmara. Para isso, o Ministério Público pediu que o município envie diários de bordo e registros de uso das máquinas referentes a outubro de 2025, período em que os equipamentos teriam sido utilizados no local.

O Legislativo municipal também deverá encaminhar a ficha funcional e a declaração de bens de uma servidora citada na denúncia.

Segundo o promotor responsável, o inquérito busca reunir elementos suficientes para esclarecer os fatos e, se necessário, responsabilizar eventuais envolvidos por danos ao patrimônio público. As investigações seguem em andamento.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins