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A Polícia Civil concluiu e enviou à Justiça inquéritos que reúnem 22 casos atribuídos a Wellington Ribeiro da Silva, de 52 anos,o homem considerado o maior estuprador em série de Goiás. O indiciamento, segundo a delegada Ana Paula Machado, foi pelo crime de estupro e também, em alguns casos, por roubo.
De acordo com a polícia, os 22 estupros foram atribuídos ao preso após confirmações por meio de exames de DNA. Além destes casos, pelo menos, outros 34 são investigados pela Polícia Civil, algunsdeles de vítimas que procuram a corporação após a prisão de Wellington, em 12 de setembro, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana.
“A força-tarefa enviou os inquéritos na última terça-feira. Neles constam os casos que já tínhamos confirmados. Além do indiciamento pelos 22 estupros, temos também alguns casos de roubos relatados pelas vítimas”, contou a delegada.
OG1tenta localizar a defesa de Wellington. A Polícia Civil informou que o preso não apresentou advogado durante o interrogatório, realizado após a prisão dele, em 12 de setembro, em Aparecida de Goiânia. Segundo a delegada, o homem confessou ter praticado seis dos 22 crimes já atribuídos a ele.
Ainda de acordo com Ana Paula, com a conclusão destes inquéritos, a força-tarefa, composta por ela e pelos outros delegados Carlos Leverger, Álvares Lins e Cybelle Tristão, foi encerrada.
“São ao todo já 56 casos investigados, mas não dá para precisar se esse número não subiu ou vai subir, porque a partir de agora, as vítimas passam a procurar as delegacias da região onde aconteceram os casos”, comentou a delegada.
Homem considerado o maior estuprador em série de Goiás é preso suspeito de 47 abusos — Foto: Polícia Civil/Divulgação
Caso de grávida é investigado
Dos 56 casos de estupros investigados em Aparecida de Goiânia, Hidrolândia, Abadia de Goiás, Bela Vista e Goiânia, a Polícia Civil já sabe, por algumas características passadas pelas vítimas, que não será possível confirmar se o Wellington é realmente o autor.
Um destes casos é de uma mulher que diz ter ficado grávida de um estuprador e procurou a delegacia de Aparecida de Goiânia.
Segundo a delegada Ana Paula, a vítimas procurou a polícia dois meses após ter sido estuprada, não sendo possível a coleta do material para análise. Além disso o retrato falado feito por ela, não bate inicialmente com as características de Wellington.
“A vítima disse engravidou do estuprador e já teve bebê recentemente. Vamos voltar a ouvi-la. O caso é investigado, mas o retrato falado é bem diferente, e a abordagem relatada por ela foge um pouco do padrão do que Wellington agia”, informou Ana Paula.
O estupro da mulher que ficou grávida teria acontecido há um ano, quando ela estava em um ponto de ônibus. “Ela disse que o estuprador estava a pé e usou uma faca”, completou a delegada.
Como agia o suspeito
Os crimes atribuídos a Wellington tem como características comuns, o uso constante do capacete na prática do crime, o horário e local de pouca luminosidade, além das abordagens com um revólver. Detalhes que o próprio preso confessou em vídeo.
Segundo a delegada, em alguns casos ele anunciava um assalto, pegava o celular da vítima e a obrigava a subir na moto dele. Depois ia para um lugar mais afastado, sempre com o capacete, para não ser reconhecido, e cometia o abuso.
Além do mandado por estupro, Wellington foi preso em flagrante por receptação. Segundo a delegada, ele estava com uma moto roubada e também foi preso por uso de documento falso ao tentar se passar por outra pessoa.
Homem considerado o maior estuprador em série de Goiás é preso suspeito de 47 abusos — Foto: Vitor Santana/G1
DNA
A força-tarefa que resultou na prisão de Wellington, batizada de Impius, durou 45 dias e envolveu mais de 40 pessoas. Ela teve início após a Polícia Técnico-Científica encontrar o perfil genético dele em várias vítimas de estupros.
Seguindo a polícia, em 2015, foram coletados vestígios do criminoso em uma vítima e inseridos no banco genético. Em 2017, foi coletado novo vestígio de outra vítima e coincidiu com a amostra anterior.
No mesmo ano, de acordo com as investigações, apareceram outras quatro vítimas compatíveis ao material genético do suspeito. No final de 2018 já somavam nove mulheres, e isso chamou a atenção da Polícia Técnico-Científica, que avisou à Polícia Civil.
Histórico de crimes
Os crimes eram cometidos desde 2008. Segundo a polícia, em 2011, Wellington chegou a ser preso depois de violentar uma mulher e a filha dela, de apenas cinco meses. Na época, ele foi levado para o Mato Grosso porque lá respondia por outros crimes, como assaltos e assassinatos. Entre eles estava uma condenação a 57 anos de prisão pela morte de uma mulher e os dois filhos dela. Em 2013, ele conseguiu fugir da prisão e voltou pra Goiás.
Para não ser pego novamente, o estuprador, segundo a polícia, estrategicamente não tinha conta em banco, não usava redes sociais e ainda roubava identidades de pessoas que se pareciam com ele para usar os documentos e despistar a polícia.
Para a delegada, ele é um dos maiores maníacos do estado e sempre soube o que estava fazendo. “É um homem de altíssima periculosidade, de uma frieza que nos chama muito a atenção, comentou.
Fonte: G1 Goiás