Polícia Civil indicia 10 pessoas suspeitas de esquema de desvio de recursos públicos — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Polícia Civil indicia 10 pessoas suspeitas de esquema de desvio de recursos públicos — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

A Polícia Civil do Tocantins concluiu investigações sobre um esquema que teria causado um prejuízo de mais de R$ 650 mil aos cofres da Prefeitura de Palmas em 2014. Segundo o inquérito da Operação Jogo Limpo, políticos, servidores públicos, institutos e empresas teriam simulado convênios sociais que nunca foram executados.

As investigações também identificaram que o esquema seguia um modus operandi que passava pelo chamamento público, a formalização do acordo com empresas indicadas e a prestação de contas falsa. Veja abaixo o modo de execução do desvio:

Dez pessoas foram indiciadas, incluindo o vereador Rogério Freitas (PSD). Questionado, ele afirmou: “Após 12 anos, não fui sequer denunciado. É importante que se apresente a denúncia, os investigados se defendam e a justiça julgue, com a urgência que o caso requer”.

A Prefeitura de Palmas ressaltou que os fatos não têm relação com a atual gestão e afirmou colaborar com as investigações. A defesa de alguns indiciados ainda não se manifestou. Deusdete Melo disse que os esclarecimentos já foram feitos e que o Instituto Vale do Tocantins foi desativado.

Como funcionava o esquema

Infográfico mostra como o esquema funcionava – Arte Dicom SSP/TO

Segundo a Polícia Civil, o modus operandi consistia em:

  1. Publicação de chamamento público;
  2. Aprovação direcionada de projetos;
  3. Celebração de convênios com liberação integral dos recursos;
  4. Transferência imediata para empresas previamente indicadas;
  5. Saque e pulverização dos valores;
  6. Redistribuição a pessoas físicas e jurídicas vinculadas ao esquema;
  7. Prestação de contas fraudulenta.

O esquema envolvia diferentes núcleos de atuação:

  • Administrativo-político: agentes públicos responsáveis pelo repasse do orçamento e aprovação dos projetos;
  • Interno: servidores da Fundesportes que orientavam instituições sobre a prestação de contas falsa;
  • Entidades conveniadas: instituições sem fins lucrativos usadas para dar aparência de legalidade aos convênios;
  • Financeiro-empresarial: empresas fantasmas que simulavam fornecimento de bens e serviços e ajudavam na pulverização do dinheiro.

Convênio falso prometia atividades a jovens

Um dos convênios investigados foi firmado com o Instituto presidido por Deusdete da Silva Melo, para o “Projeto Atividade Física e Recreativa no Combate às Drogas”. O investimento foi de R$ 349.740 e previa:

  • Ações esportivas e recreativas;
  • Prevenção ao uso de drogas;
  • Compra de materiais esportivos (bolas, uniformes, troféus);
  • Contratação de profissionais de educação física e monitores;
  • Ocupação de tempo ocioso de jovens em áreas de risco.

No entanto, a polícia constatou que nenhuma das atividades foi realizada. Materiais esportivos nunca foram comprados e crianças e adolescentes não receberam qualquer atendimento. Fotos apresentadas na prestação de contas não comprovavam vínculo com o convênio.

Prejuízo social e financeiro

O inquérito destaca que o esquema não apenas desviou recursos, mas também falhou em proteger os jovens: “Enquanto R$ 349.740 eram dissipados em empresas fantasmas e distribuídos entre agentes políticos, jovens palmenses permaneciam nas ruas, expostos às vulnerabilidades que o projeto prometia combater”.

Além do impacto financeiro, o caso evidencia falhas graves na fiscalização e na gestão de convênios públicos. A investigação reforça a importância da transparência e da supervisão rigorosa para evitar que recursos destinados a políticas sociais sejam desviados.

Íntegra da nota da Prefeitura de Palmas

A Prefeitura de Palmas, por meio da Secretaria Municipal de Turismo, Juventude e Esportes, informa que fatos são referentes a 2014 e não têm relação com a atual gestão. Enfatiza ainda que colabora com as investigações da Polícia Civil e permanece à disposição dos órgãos competentes.

A gestão municipal acrescenta que os órgãos internos de controle estão avaliando eventuais e necessárias medidas a partir do Relatório.

Íntegra do posicionamento de Deusdete Melo

Por telefone, o pastor Deusdete Melo – responsável pelo Instituto Vale do Tocantins– disse que o Instituto foi desativado e que tem dado todos os esclarecimentos.