
Quase R$ 15 milhões circularam em contas ligadas a dois irmãos investigados por integrar o núcleo financeiro de uma organização criminosa associada ao tráfico interestadual de drogas. O montante, R$ 14,6 milhões, foi movimentado em apenas 50 dias, segundo levantamento da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Tocantins.
De acordo com a investigação, um dos suspeitos, empresário do setor da construção civil, teria movimentado cerca de R$ 9,3 milhões no período. O outro, servidor público, aparece vinculado a transações que somam aproximadamente R$ 5,3 milhões. Para os investigadores, o volume e a rapidez das operações são incompatíveis com a renda declarada pelos dois.
A suspeita é que os irmãos atuassem diretamente na engrenagem de lavagem de dinheiro do grupo, responsável por dar aparência de legalidade a recursos oriundos do tráfico. As movimentações financeiras estariam ligadas a um sistema chamado “4TBank”, apontado como uma plataforma financeira clandestina que operaria sem autorização do Banco Central do Brasil.
Segundo a apuração, o mecanismo funcionaria como um “banco paralelo”, utilizado para transferências de grandes quantias dentro e fora do país. A estratégia dificultaria o rastreamento das operações pelo sistema bancário tradicional.
Depois de circular por diferentes contas, os valores seriam convertidos em bens de alto padrão, veículos e ativos empresariais, numa tentativa de ocultar a origem ilícita do dinheiro.
Empresa suspeita no Maranhão
Parte das diligências ocorreu em Imperatriz, onde os irmãos foram alvo de mandados de busca e apreensão. No município, os investigadores também identificaram vínculos com uma papelaria que, segundo a suspeita, funcionaria como empresa de fachada para justificar movimentações financeiras milionárias.
Para a força-tarefa, o ritmo acelerado das transações e o uso de empresas aparentemente regulares indicam que os dois atuariam como operadores centrais da estrutura financeira da organização, especialmente na etapa de ocultação e dissimulação dos recursos.
Mandados em Goiás e policial investigado
Outra frente da operação foi realizada em Goiânia, onde cerca de 50 policiais cumpriram parte dos oito mandados de busca e apreensão em uma revendedora de veículos. A empresa é suspeita de ser utilizada para converter dinheiro proveniente do tráfico aéreo de drogas em ativos aparentemente regulares.
A investigação também alcançou um policial militar do Maranhão, citado como ex-sócio de uma construtora mencionada no inquérito como parte da estrutura empresarial utilizada para lavar dinheiro.
Investigação começou no Tocantins
A operação é conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Tocantins após a descoberta do uso de pistas de pouso clandestinas no sudeste do Tocantins para o transporte de drogas. Segundo os investigadores, a logística aérea do grupo era sustentada por um esquema financeiro capaz de reinserir milhões de reais no mercado formal.
A ação conta com apoio da Polícia Federal, da Polícia Civil do Tocantins, da Polícia Civil de Goiás e da Polícia Militar do Tocantins.
Caso as suspeitas sejam confirmadas, os investigados poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e fraude fiscal. Somadas, as penas podem ultrapassar 30 anos de prisão.