
“Ele era uma criança especial, meiga e carinhosa. Meu bebê não merecia isso.” O desabafo é de Regina Pinheiro do Carmo, mãe de Allysson Pinheiro de Sousa, de 22 anos, jovem que morreu após ser baleado durante um tiroteio enquanto assistia à final da 39ª edição da Copa do Craque – Taça Oswaldo Stival, em Gurupi, no sul do Tocantins.
Allysson foi atingido no peito na tarde de domingo (1º), no setor Nova Fronteira, em meio a uma confusão armada que deixou outras quatro pessoas feridas. Ele chegou a ser socorrido e levado ao hospital, mas não resistiu.
Segundo a mãe, Allysson tinha deficiência intelectual e estava no evento acompanhado pelo pai, que não ficou ferido. Muito abalado, o familiar presenciou o momento de pânico após o início dos disparos. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram o público correndo em meio ao tumulto.
A Prefeitura de Gurupi divulgou uma nota oficial na qual lamenta profundamente a violência registrada no evento, repudia o ocorrido e manifesta solidariedade à família, amigos e à comunidade esportiva do município.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), além de Allysson, outras quatro pessoas foram atingidas — dois homens e duas mulheres. Um dos feridos foi transferido para o Hospital Geral de Palmas em estado grave. A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que o paciente apresenta quadro estável e segue sob cuidados médicos.
O tiroteio ocorreu após o encerramento da competição esportiva, em um momento festivo, com carros de som no local. Segundo a Polícia Civil, um homem de 25 anos tentou atirar contra um adolescente de 15 anos, mas a arma falhou. Em seguida, o adolescente sacou outro revólver e efetuou vários disparos, que atingiram Allysson e outras pessoas que estavam no local.
O adulto foi preso em flagrante e autuado por tráfico de drogas, homicídio consumado e quatro tentativas de homicídio. Na residência dele, a polícia encontrou porções de maconha e cocaína. O suspeito foi encaminhado à Unidade Penal Regional de Gurupi.
O adolescente foi apreendido com um revólver calibre .38 e responderá por ato infracional análogo a homicídio consumado, quatro tentativas de homicídio e porte ilegal de arma de fogo. A SSP informou que aguarda decisão judicial sobre a possível internação do menor. O caso segue sob investigação da 3ª Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa de Gurupi.