Leandro Pereira de Sousa e Wagner Pereira Novais — Foto: Arte g1
Leandro Pereira de Sousa e Wagner Pereira Novais — Foto: Arte g1

Um relatório da Polícia Civil do Tocantins aponta que o atual presidente do Tocantinópolis Esporte Clube (TEC), Leandro Pereira Sousa, e o ex-gestor Wagner Pereira Novais teriam recebido R$ 3.147.325,00 das contas do clube entre os anos de 2020 e 2024. O documento faz parte de uma investigação sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados ao time.

Nesta quinta-feira (12), a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão durante uma operação que investiga possíveis irregularidades no uso de recursos públicos repassados pela Prefeitura de Tocantinópolis ao clube entre 2009 e 2021.

Entre os alvos das buscas estão o atual prefeito de Tocantinópolis, Fabion Gomes (PL), além de Leandro Pereira Sousa, Wagner Pereira Novais e o ex-prefeito Paulo Gomes (PL).

Em vídeo publicado nas redes sociais, Fabion Gomes afirmou que os pagamentos ao clube foram suspensos durante sua gestão por determinação judicial, ressaltando que os repasses realizados em administrações anteriores ocorreram com base em uma lei municipal.

Wagner Novais foi procurado, mas não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.

Já Leandro Pereira informou, na quinta-feira (12), que o clube não possui convênio com a prefeitura e não recebe repasses municipais desde que ele assumiu a presidência, em janeiro de 2025.

O ex-prefeito Paulo Gomes declarou que times do interior dependem do apoio do poder público municipal para sobreviver, e afirmou que “atacar financeiramente o clube é tentar enfraquecê-lo, torná-lo menos competitivo e silenciar uma das instituições esportivas mais relevantes do estado”.

O Tocantinópolis Esporte Clube não divulgou posicionamento oficial sobre a investigação.

Movimentações consideradas suspeitas

De acordo com o relatório policial, entre as fontes de receita do clube no período investigado estavam repasses de entidades do futebol e pagamentos mensais feitos pela prefeitura.

Em dezembro de 2025, uma decisão da 1ª Vara Cível de Tocantinópolis determinou a suspensão dos repasses municipais ao clube e o bloqueio de bens do TEC, do prefeito Fabion Gomes e do ex-prefeito Paulo Gomes.

A investigação teve início após o **Conselho de Controle de Atividades Financeiras identificar movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo dirigentes do clube. Segundo a polícia, foram identificados saques em dinheiro e transferências bancárias para contas pessoais e de terceiros.

Movimentação financeira dos investigados

Segundo a Polícia Civil, Wagner Pereira Novais teria exercido forte influência na gestão do clube entre 2017 e 2024. Ele possui um bar em Tocantinópolis e ocupou cargo comissionado na **Assembleia Legislativa do Tocantins entre 2017 e 2019.

A investigação aponta que, entre janeiro de 2022 e 2024, Wagner movimentou cerca de R$ 16,9 milhões em suas contas, somando entradas e saídas financeiras. Parte dessas movimentações foi considerada suspeita pelos investigadores.

Nesse período, ele também teria transferido R$ 1.782.424,50 para Leandro Pereira, além de repasses para outras pessoas físicas, incluindo R$ 58 mil enviados a uma vizinha, segundo a polícia.

Leandro Pereira, atual presidente do clube e 2º sargento da Polícia Militar, teria rendimentos médios de R$ 7,9 mil mensais. Mesmo assim, o relatório aponta que ele recebeu R$ 1.116.200,00 do clube entre outubro de 2023 e outubro de 2024, período em que ainda não era presidente e atuaria como tesoureiro do TEC.

A polícia também apura saques em dinheiro supostamente realizados por Leandro em maio de 2025, que somariam R$ 222.552,00.

Repasse de recursos públicos

A investigação faz parte da Operação 2º Tempo, que busca desarticular um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados ao clube.

De acordo com a polícia, entre 2009 e 2021 a Prefeitura de Tocantinópolis repassou cerca de R$ 5,1 milhões ao TEC. Os pagamentos continuaram até o fim de 2024, quando foram suspensos por decisão judicial.

Para os investigadores, o clube teria sido utilizado como uma estrutura de fachada, com suposta falsificação de documentos como atas e recibos para dar aparência de legalidade às transferências, que não teriam relação direta com atividades esportivas ou interesse público.

Ainda segundo a Polícia Civil, após chegarem às contas do clube, parte dos recursos era transferida para contas pessoais de dirigentes e terceiros, além de saques em espécie que dificultariam o rastreamento do dinheiro.

Íntegra da nota de Paulo Gomes

O TEC carrega uma história de vitórias, conquistas e grandes campanhas no futebol tocantinense. Como clube do interior, sempre representou com orgulho a nossa cidade e deu contribuição decisiva ao Campeonato Estadual. Talvez por isso tenha enfrentado tantos adversários dentro e fora de campo.

A verdade é uma só: nenhum time do interior sobrevive sem o apoio do poder público municipal. E nós não vamos desistir do time da cidade. O TEC é orgulho do nosso povo.

Defender o esporte é defender a juventude, é afastar nossos jovens das drogas, da prostituição e de caminhos sem futuro. Atacar financeiramente o Clube é tentar enfraquecê-lo, torná-lo menos competitivo e calar uma das instituições esportivas mais relevantes do Estado.

Seguiremos firmes, apoiando os campeonatos municipais e lutando até o último momento pelo TEC, pela nossa história e pelo orgulho do nosso povo.

Íntegra da nota de Leandro Pereira

Com relação a essa situação, do que que está sendo investigado, é um possível repasse que o Tocantinópolis recebia da Prefeitura de Tocantinópolis através de uma lei municipal, lei essa que vem desde a fundação do clube, em que a prefeitura municipal, autorizada pela Câmara Municipal, fazia um repasse mensal de 30 salários mínimos para o Tocantinópolis Esporte Clube.

Com relação a esses repasses, em dezembro de 2024, antes de eu ser presidente, ter a eleição para presidente, tinha uma liminar que suspende esse repasse. E dali então não foi mais feito repasse.

Depois que eu assumi a presidência e o prefeito Fabion Gomes, que assumiu também em janeiro de 2025, não houve repasse da prefeitura. O Tocantinópolis Esporte Clube, nesse um ano e três meses de mandato, não teve nenhum repasse público de nada. Hoje o Tocantinópolis não tem convênio nenhum com a prefeitura municipal de Tocantinópolis.