Coronel Fabrício Moreira Bastos, investigado na trama golpista — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Coronel Fabrício Moreira Bastos, investigado na trama golpista — Foto: Reprodução/Redes Sociais

O coronel do Exército Fabrício Moreira de Bastos foi preso pela Polícia Federal em Palmas, em dezembro de 2025, após condenação da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento direto em uma tentativa de golpe de Estado. Atualmente, ele cumpre prisão domiciliar, com uso obrigatório de tornozeleira eletrônica.

A prisão faz parte de uma operação nacional da Polícia Federal, que cumpriu dez mandados de prisão contra réus condenados por participação na trama golpista. Fabrício foi condenado em 18 de novembro e preso em 27 de dezembro de 2025, juntamente com outros nove envolvidos.

Segundo o STF, o militar integrava o chamado Núcleo 3 da organização criminosa, responsável pelo planejamento de ações violentas, incluindo a articulação para o assassinato de autoridades.

Quem é o coronel e por que foi preso

Fabrício Moreira de Bastos é coronel do Exército, integrante das Forças Especiais, conhecidas como “kids pretos”, e residente em Palmas. Ele foi condenado a 16 anos de prisão por participação em uma organização criminosa com o objetivo de instaurar um golpe de Estado. A pena está sendo cumprida em regime domiciliar, com monitoramento eletrônico, por decisão do STF.

O que diz a defesa

O advogado Marcelo Cordeiro classificou a prisão como “arbitrária e ilegal”, alegando ausência de fundamentação jurídica. Segundo ele, o militar respondeu a todos os atos processuais sem representar risco.

“Nem ele nem os outros cometeram qualquer conduta de golpe de Estado, atentado ao Estado Democrático de Direito ou organização criminosa. As condenações são desprovidas de provas constantes no processo”, afirmou o defensor.

Crimes pelos quais foi condenado

A Primeira Turma do STF fixou a pena em 16 anos de prisão, pelos seguintes crimes:

  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Participação em organização criminosa armada;
  • Dano qualificado;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

Papel na trama golpista

De acordo com o STF, Fabrício atuava no Núcleo 3, responsável pelo planejamento de ações violentas. Ele admitiu ter conhecimento de uma carta destinada a pressionar o alto comando do Exército a aderir ao golpe e teria colaborado no encaminhamento do documento a outros militares em busca de apoio.

Remuneração após a condenação

Informações do Portal da Transparência mostram que o coronel recebe remuneração bruta de R$ 30.437,50. Ele mantém vínculo ativo com o Ministério da Defesa e está na reserva do Exército desde junho de 2025.

Dados disponíveis indicam pagamentos entre julho e setembro, e a Controladoria-Geral da União (CGU) confirmou que os valores continuaram sendo registrados em outubro e novembro de 2025. A remuneração de dezembro deve ser divulgada no portal a partir de 30 de janeiro de 2026.

Medidas cautelares impostas

Além da tornozeleira eletrônica, o STF determinou:

  • Proibição de uso de redes sociais;
  • Proibição de contato com outros investigados;
  • Proibição de receber visitas.

Também houve apreensão do passaporte, suspensão do porte de arma de fogo e obrigação de cumprir todas as determinações judiciais em sua residência.

Situação do processo

A condenação ainda não transitou em julgado. Embora o coronel já esteja cumprindo a pena em regime domiciliar, a defesa poderá apresentar recursos após a publicação dos acórdãos. O advogado afirmou acreditar na reversão da sentença em instâncias superiores.

Fonte: g1 Tocantins