Estupro foi regitrado na frente de viatura e base de segurança — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Estupro foi regitrado na frente de viatura e base de segurança — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

O caso investigado como estupro de vulnerável e registrado em frente à base de segurança da Praia da Graciosa resultou no afastamento de três agentes da Guarda Metropolitana de Palmas. As imagens circularam nas redes sociais e mostram a vítima tentando se desvencilhar do suspeito.

Como aconteceu o crime?

O episódio ocorreu em 15 de fevereiro de 2026. Nos vídeos, uma mulher com sinais de embriaguez aparece sendo abusada por um homem que se posiciona atrás dela. A gravação mostra que a ação ocorreu diante de uma base da corporação e ao lado de uma viatura oficial.

Um dos registros, inclusive, teria sido feito de dentro da própria unidade. As imagens exibem a vítima tentando afastar o agressor. A Polícia Civil do Tocantins informou que trata o caso como estupro de vulnerável.

Suspeito foi identificado?

O homem visto nas gravações compareceu espontaneamente à delegacia na noite de segunda-feira (16). De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, ele prestou depoimento à delegada plantonista e responderá em liberdade.

O nome não foi divulgado oficialmente, o que impediu o portal g1 de localizar a defesa.

A mulher foi identificada?

Segundo a secretaria, a vítima foi localizada e ouvida nesta quinta-feira (20) pela 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Palmas. O conteúdo do depoimento é sigiloso, pois investigações de violência sexual correm sob segredo de Justiça.

Como a investigação está sendo conduzida?

A polícia classifica o caso como estupro de vulnerável por considerar que a vítima não tinha condições de reação ou discernimento no momento. A corporação reforçou que qualquer ato sexual contra pessoa sem capacidade de defesa configura esse crime, considerado hediondo e inafiançável.

Também alertou que compartilhar imagens que exponham vítimas pode caracterizar crime de violação de intimidade, orientando que registros sejam encaminhados apenas às autoridades.

Por que os guardas metropolitanos foram afastados?

A Corregedoria da corporação instaurou sindicância para apurar possível omissão dos três agentes que estavam de plantão. Eles permanecerão afastados até o fim da investigação administrativa.

A prefeitura sustenta que a eventual falta de intervenção diante de um crime próximo à base contraria os deveres funcionais e o decoro da instituição, cuja atribuição é garantir a proteção da população.

O caso foi enviado ao Ministério Público?

A Secretaria Municipal de Ação Social e da Mulher informou que encaminhou as informações ao Ministério Público do Tocantins e iniciou busca ativa para garantir atendimento à vítima, incluindo suporte psicológico e jurídico por meio da Casa da Mulher Brasileira e da Patrulha Mulher Segura.

Até a última atualização, não havia posicionamento do órgão ministerial.

Entidade se manifesta

A Secretaria de Mulheres do PT Tocantins divulgou nota pública manifestando indignação com o crime e destacou a gravidade da possível participação ou conivência de servidores públicos na gravação das imagens.

Segundo o comunicado, caso as suspeitas sejam confirmadas, a situação representaria não apenas um crime hediondo, mas também quebra inadmissível do dever funcional. A entidade cobra apuração rápida das autoridades e responsabilização de todos os envolvidos, defendendo exoneração imediata se houver comprovação de participação de servidores.

No posicionamento, o grupo também reforçou a frase: “Machismo mata, feminismo salva! Seguiremos na luta pela valorização da vida das mulheres”.

O que acontece agora?

A comissão disciplinar da guarda analisará a conduta dos servidores para concluir se houve omissão, enquanto a investigação criminal segue paralelamente.

O Sindicato dos Guardas Metropolitanos do Estado do Tocantins declarou que acompanha o caso institucionalmente e destacou a necessidade de respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. Segundo a entidade, o afastamento determinado pela prefeitura tem caráter cautelar e não representa reconhecimento de culpa.

Após receber relatórios da prefeitura e da polícia, o Ministério Público poderá decidir sobre eventuais medidas.

Íntegra da nota da Prefeitura de Palmas

A Prefeitura de Palmas, por meio da Guarda Metropolita de Palmas (GMP), informa que a Corregedoria instaurou, por meio da Portaria nº 005/2026, sindicância investigativa para apurar a conduta de três guardas que estavam de plantão no dia 15 de fevereiro de 2026. A medida visa investigar suposta omissão dos agentes diante de um crime de violência sexual, ocorrido nas adjacências da Base da Graciosa, comportamento que fere o decoro e os deveres éticos de proteção à população previstos na legislação municipal.

Os servidores foram afastados de suas funções até que a apuração seja concluída e as responsabilidades devidamente esclarecidas. A comissão designada pela Corregedoria conduzirá os trabalhos para preservar o interesse público e a integridade da instituição.

Íntegra da nota do Sindicato dos Guardas Metropolitanos do Tocantins

O Sindicato dos Guardas Metropolitanos do Estado do Tocantins (SIGMEP) tomou conhecimento, por meio da imprensa, do fato ocorrido na Praia da Graciosa, em frente à base da Guarda Metropolitana de Palmas.

Trata-se de uma situação grave, que deve ser apurada com responsabilidade e rigor pelas autoridades competentes. O Sindicato defende que toda investigação ocorra de forma técnica, imparcial e com respeito às garantias legais.

O SIGMEP está acompanhando o caso institucionalmente e aguarda o esclarecimento oficial dos fatos, reiterando a importância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, assegurados constitucionalmente a qualquer servidor público.

Quanto ao afastamento anunciado pela Prefeitura de Palmas, trata-se de medida administrativa de natureza cautelar, que não configura reconhecimento de culpa. O Sindicato respeita as providências adotadas, desde que sejam preservados os direitos individuais dos guardas envolvidos durante toda a apuração.

O SIGMEP reafirma que não compactua com qualquer conduta ilícita. Ao mesmo tempo, defende que nenhuma conclusão seja antecipada antes da apuração completa dos fatos. Seguiremos atentos e atuantes, sempre em defesa da legalidade, da transparência e dos direitos da categoria.