2026: O ano em que a política deixa de ser promessa e passa a ser cobrança

Maju Cotrim

Há anos eleitorais que passam como rotina institucional. E há anos que chegam como um divisor de águas. Este é um deles.

O tempo das grandes promessas, dos discursos genéricos e das frases prontas perdeu força diante de um eleitor mais atento, mais conectado e, sobretudo, mais cansado. Cansado de ouvir o que nunca se cumpre. Cansado de ver projetos que só existem no papel. Cansado de lideranças que aparecem apenas quando o calendário eleitoral se aproxima.

Este é o ano em que a política deixou de ser promessa e passou a ser cobrança.

A cobrança agora é pública, instantânea e permanente. Está nas redes sociais, nas ruas, nas rodas de conversa e nos dados. O eleitor compara discursos com históricos, palavras com atitudes, alianças com coerência. Não basta mais dizer o que pretende fazer: é preciso explicar o que foi feito quando se teve a oportunidade.

Essa mudança de postura do eleitor impõe um novo desafio às lideranças políticas. Não se trata apenas de comunicar mais, mas de comunicar melhor. Transparência, prestação de contas e clareza de posicionamento deixaram de ser virtudes opcionais e passaram a ser exigências mínimas.

Quem governou bem, com responsabilidade e resultados, tem o que mostrar. Quem governou pensando apenas no próximo palanque enfrenta agora o peso das próprias escolhas. Em um ambiente de excesso de informação, a incoerência se revela rápido. A omissão também.

Este ano eleitoral escancara uma verdade incômoda: não existe mais espaço confortável para a neutralidade conveniente. O silêncio diante dos grandes temas sociais, econômicos e institucionais também é uma forma de posicionamento e o eleitor percebe.

Mais do que nunca, a política está sendo chamada a sair do campo do marketing e voltar ao campo do compromisso público. E isso não é um risco para a democracia; é um sinal de maturidade.

Quando a promessa perde valor e a cobrança ganha voz, quem ganha é a sociedade.

Trocando em Miúdos

Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!

Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!