A pré-campanha que nasce nas urgências sociais do Tocantins: As agendas que vão pautar a disputa deste ano

Maju Cotrim

A pré-campanha de 2026 no Tocantins já começou a ser desenhada não apenas nos bastidores da política, mas, sobretudo, nas urgências reais da sociedade. Diferentemente de outros ciclos eleitorais, o debate que se impõe não será restrito a alianças, nomes ou estratégias partidárias. Ele será, acima de tudo, social, econômico e territorial.

Um dos temas centrais, e inadiáveis, é o combate ao feminicídio. O Tocantins segue convivendo com números alarmantes de violência contra a mulher, o que exige muito mais do que discursos protocolares. A sociedade espera estratégias sérias, integradas e permanentes: políticas de prevenção, fortalecimento da rede de proteção, investimento em acolhimento, educação, segurança pública qualificada e responsabilização efetiva. Quem tratar esse tema com superficialidade ficará para trás. Não há mais espaço para omissão.

Outra agenda que ganha força é a do desenvolvimento regional, especialmente voltado aos municípios médios e pequenos. O Tocantins profundo quer ser visto, ouvido e incluído. Falar em crescimento econômico sem olhar para essas cidades é repetir um modelo concentrador que não dialoga com a realidade do Estado. Desenvolvimento regional significa infraestrutura, acesso a crédito, apoio ao pequeno produtor, incentivo ao comércio local e geração de oportunidades onde as pessoas vivem.

Nesse mesmo eixo, o turismo surge como uma das maiores potencialidades do Tocantins, ainda subexplorada. Mas não se trata apenas de promover cartões-postais. A agenda turística que ganha relevância é aquela construída com as comunidades, gerando renda local, fortalecendo identidades culturais, valorizando o artesanato, a culinária, os saberes tradicionais e o turismo de base comunitária. Turismo, aqui, é política de desenvolvimento e inclusão.

A agenda social e assistencial também ocupará lugar central no debate de 2026. Comunidades tradicionais, povos quilombolas e populações vulnerabilizadas seguem enfrentando desafios históricos: regularização de territórios, acesso a políticas públicas, combate à violência nos territórios e garantia de direitos básicos. Não se trata de favor, mas de justiça social e cumprimento da Constituição.

Além dessas pautas estruturantes, outras particularidades regionais e sociais devem emergir com força, refletindo a diversidade do Tocantins e suas desigualdades históricas. O eleitorado, cada vez mais atento, não quer promessas genéricas. Quer propostas diretas, viáveis e conectadas com a vida real.

Em 2026, o debate eleitoral no Tocantins não será apenas político no sentido clássico. Ele será social, econômico e turístico. Será sobre como alçar o Estado a um novo patamar de desenvolvimento, sem deixar ninguém para trás. Será sobre emprego, renda, dignidade e oportunidades para quem está na base da pirâmide social.

Quem compreender essas agendas, se integrar a elas com seriedade e apresentar soluções eficazes sairá na frente. Mais do que vencer uma eleição, terá algo ainda mais valioso: compreensão popular, legitimidade social e sintonia com o tempo em que vivemos.

Trocando em Miúdos

Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!

Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!