
Editorial | Gazeta do Cerrado
Por Maju Cotrim
As eleições deste ano no Tocantins começam a revelar um traço preocupante que vai muito além das divergências naturais do jogo democrático: o crescimento do tom de agressividade no debate político. Divergir é legítimo. Discordar faz parte da democracia. Grupos que se opõem, projetos que disputam espaço e visões distintas de Estado são elementos essenciais de qualquer processo eleitoral saudável. O problema surge quando a política deixa de ser arena de ideias e passa a ser palco de ataques pessoais, ofensas verbais, agressões simbólicas e, em alguns casos, discursos que até flertam com preconceitos de gênero e desqualificação moral.
A população tocantinense não espera unanimidade entre seus líderes. O que se espera, e se exige, é clareza, responsabilidade e, sobretudo, maturidade política. O eleitor quer entender projetos, comparar propostas, avaliar trajetórias e medir a capacidade de cada liderança em enfrentar os desafios reais do Estado. O que não interessa, e cada vez mais causa repulsa, é o espetáculo da hostilidade, do ataque gratuito e da retórica inflamada que nada constrói.
Críticas são fundamentais para a evolução da política. As críticas construtivas fortalecem instituições, corrigem rumos e elevam o nível do debate público. Elas são sinais de uma democracia viva e vigilante. No entanto, quando a crítica abandona o campo das ideias e migra para o território da agressão pessoal, do ataque à honra, da violência verbal ou da exploração de estereótipos, perde-se o sentido político e instala-se o empobrecimento do debate.
Transformar a política em uma arena de confronto pessoal não é sinal de força, é sinal de fragilidade. Revela ausência de argumentos, escassez de propostas e incapacidade de sustentar posições no campo do diálogo democrático. Mais grave ainda quando esse tom agressivo atinge mulheres na política ou se apoia em discursos que reforçam desigualdades e preconceitos. Isso não apenas afasta bons quadros da vida pública, como também deseduca politicamente a sociedade.
O Tocantins vive um momento em que precisa discutir desenvolvimento, inclusão social, infraestrutura, saúde, educação, geração de emprego e sustentabilidade. Precisa de lideranças capazes de dialogar, de discordar com civilidade e de construir consensos mínimos em favor do interesse coletivo. O eleitor tocantinense demonstra, cada vez mais, maturidade e senso crítico. E espera o mesmo de quem se apresenta como liderança.
Este ano eleitoral será, também, um teste de maturidade política. Um teste sobre que tipo de debate queremos consolidar no Estado. Se um debate raso, marcado por agressões e disputas pessoais, ou um debate alto, firme, crítico e respeitoso, capaz de apontar erros sem desumanizar adversários e de defender projetos sem destruir reputações.
A democracia não se fortalece no grito, na ofensa ou no ataque pessoal. Ela se fortalece na clareza, na crítica qualificada e no respeito às diferenças. O Tocantins merece mais do que uma política agressiva. Merece líderes à altura da responsabilidade que o voto popular representa.
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!