
Maju Cotrim
O início do ano eleitoral no Tocantins traz um cenário conhecido, mas que exige cada vez mais cuidado: a construção da imagem pública dos pré-candidatos às disputas majoritárias. Em um ambiente político cada vez mais atravessado pelas redes sociais, a comunicação deixou de ser apenas uma ferramenta de divulgação para se tornar um elemento estratégico decisivo. E é justamente aí que mora um dos principais riscos das pré-campanhas deste ano: o uso excessivo de discursos e comportamentos clichês.
O momento exige assertividade. O eleitor tocantinense, assim como em todo o país, está mais atento, mais conectado e, sobretudo, mais crítico. A simplicidade na comunicação continua sendo um valor importante, especialmente em um estado marcado por forte identidade regional e proximidade entre lideranças e população. No entanto, simplicidade não pode ser confundida com repetição de fórmulas prontas ou encenações artificiais de “tocantinidade”.
Uma rápida observação das redes sociais de pré-candidatos já revela um padrão que se repete em algumas redes: vídeos excessivamente ensaiados, frases genéricas sobre “amor pelo Tocantins”, cenas cuidadosamente produzidas para parecer espontâneas e discursos que pouco dizem sobre a realidade concreta das pessoas. Esse tipo de abordagem, que já funcionou em outros ciclos eleitorais, hoje corre o risco de gerar o efeito contrário: afastar, em vez de aproximar.
Em tempos de redes sociais, a autenticidade tornou-se um ativo político. O público percebe quando há exagero, quando o comportamento é forjado ou quando a tentativa de parecer “popular” soa artificial. O desafio não está em negar a identidade local, mas em expressá-la de forma verdadeira, sem caricaturas, sem frases feitas e sem encenações previsíveis.
Nesta pré-campanha, mais do que criatividade estética, os pré-candidatos precisam demonstrar amadurecimento político e comunicacional. Isso passa por assumir posições claras, dialogar com problemas reais, mostrar coerência entre discurso e trajetória e, principalmente, construir conteúdos conectados com o cotidiano da população. Comunicação não é performance; é relação.
O Tocantins vive um momento em que o eleitor espera mais profundidade e menos encenação. A tentativa de agradar a todos, por meio de mensagens genéricas, tende a diluir a identidade política e enfraquecer a conexão com a sociedade. Em contrapartida, quem consegue comunicar com verdade, consistência e sensibilidade ao contexto local sai na frente.
Fugir dos clichês, portanto, não é apenas uma questão de estilo, mas de estratégia. Em um cenário de alta exposição e disputa por atenção, a autenticidade se tornou o principal diferencial. E este talvez seja um dos maiores desafios das pré-campanhas majoritárias no Tocantins em 2026: comunicar com simplicidade, sem artificialidade, e com identidade, sem encenação.
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!