Foto: Aline Massuca/Especial Metrópoles; Rafa Neddermeyer/Agência Brasil; Luis Nova/Especial Metrópoles
Foto: Aline Massuca/Especial Metrópoles; Rafa Neddermeyer/Agência Brasil; Luis Nova/Especial Metrópoles

Criado em 2011, o Partido Social Democrático (PSD) ensaia lançar, pela primeira vez, uma candidatura própria à Presidência da República. A sigla comandada por Gilberto Kassab já tentou se viabilizar na disputa pelo Planalto em 2018 e 2022. Agora, dirigentes avaliam que o caminho “parece estar” mais pavimentado.

Presidente do partido, Gilberto Kassab deve escolher entre Ratinho Jr, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite

Um dos fatores que alimentam esse cenário, segundo aliados de Kassab, é a tendência de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), buscar a reeleição. Nos últimos meses, o presidente do PSD sinalizou preferência pelo nome de Tarcísio para a corrida presidencial, mas deixou claro que lançaria um candidato próprio caso o paulista opte por permanecer no Palácio dos Bandeirantes.

Outro sinal foi dado na noite de terça-feira (27/1) com a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao partido. Para integrantes da legenda, a chegada do goiano reforça a leitura de que Kassab pretende, desta vez, ir até o fim com uma candidatura própria ao Planalto.

Com a chegada de Caiado, o PSD passou a ter três nomes no radar para a disputa presidencial. Além do goiano, aparecem como cotados os governadores Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). De acordo com dirigentes da sigla, a definição deve ficar a cargo de Kassab e ocorrer até abril.

Políticos próximos ao presidente do PSD afirmam que, mesmo com a filiação de Caiado, a preferência do dirigente ainda é pelo nome de Ratinho. Há algumas semanas, a cúpula do partido já tratava como praticamente certa a escolha do governador paranaense para encabeçar a chapa presidencial.

Segundo relatos de aliados de Kassab, ele avalia que Ratinho reúne predicados para crescer nas intenções de voto e abocanhar o eleitorado que busca uma terceira via entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

A leitura atual de um parlamentar do partido é de que, se a candidatura de Tarcísio à reeleição for confirmada, Kassab deve buscar uma “saída honrosa e amigável” para não expor Leite e Caiado e sacramentar Ratinho Júnior como nome do PSD ao Planalto.

Por trás da estratégia de se apresentar como uma opção de “centro”, dirigentes veem também a intenção de Kassab de evitar atritos e posições com os polos mais extremos da política. No atual governo Lula, o PSD mantém três ministros: Carlos Fávaro (Agricultura), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e André de Paula (Pesca). Ao mesmo tempo, Gilberto Kassab ocupa a Secretaria de Governo de Tarcísio de Freitas.

Histórico de apoios

A estreia do PSD em uma eleição presidencial ocorreu em 2014, quando a legenda apoiou a reeleição de Dilma Rousseff (PT). Desde então, o partido integrou todos os governos, comandando ministérios ou secretarias.

Um dirigente da sigla avalia que ainda é cedo para cravar o desenho final da eventual chapa ao Planalto. Um ponto que vai cobrar atenção é a negociação nos estados que tentem a apoiar uma candidatura de Lula a um quarto mandato. A sigla também vai acompanhar se Flávio Bolsonaro conseguirá consolidar seu nome, afastando de vez a possibilidade de Tarcísio entrar na disputa nacional.

“Tem muita água passando por debaixo da ponte. Vamos vivendo um dia de cada vez”, disse o dirigente.

PSD nas eleições presidenciais

  • O PSD, que foi criado em 2011, participou pela primeira vez de uma eleição presidencial em 2014.
  • Na estreia, com articulação de Kassab, a sigla apoiou a campanha de Dilma Rousseff (PT) à reeleição.
  • Quatro anos depois, o partido ensaiou lançar Guilherme Afif como candidato próprio ao Planalto, mas recuou.
  • No primeiro turno de 2018, o PSD acabou apoiando a candidatura de Geraldo Alckmin, então filiado ao PSDB. No segundo turno, a sigla decidiu manter neutralidade.
  • Em 2022, mais uma vez, o partido tentou lançar o senador Rodrigo Pacheco (MG) à Presidência. Apesar do apoio de Kassab, o mineiro optou por não disputar o pleito.
  • Sem candidato próprio e diante de uma polarização entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL), o PSD deliberou, outra vez, pela neutralidade.
  • Apesar do vaivém, o PSD ocupou ministérios ou secretarias nos governos Dilma 2, Michel Temer (MDB), Bolsonaro e Lula.
  • A legenda elegeu, em 2024, o maior número de prefeitos do país (887) e trabalha para ampliar as bancadas no Congresso neste ano.

Segundo turno fica para depois

Além da definição da chapa, o PSD também deve discutir mais adiante qual será a posição em um eventual segundo turno sem candidato próprio. Parlamentares avaliam que, diante dos movimentos recentes de Kassab, a sigla pode acabar apoiando uma candidatura adversária de Lula.

O senador Otto Alencar (PSD-BA) sinalizou, no entanto, que os diretórios locais devem ter liberdade para definir os palanques a despeito do posicionamento nacional da sigla.

Uma das maiores forças partidárias do país, o PSD também aposta no crescimento da bancada no Congresso em 2026. Internamente, há a avaliação de que os nomes hoje ventilados para a disputa presidencial podem ser lançados ao Senado, com o objetivo de reforçar a presença da legenda na Casa.

Atualmente, a sigla tem a segunda maior bancada no Senado e ocupa a quinta posição na Câmara dos Deputados.

Para financiar uma eventual campanha presidencial e as candidaturas ao Congresso, o partido deverá contar com a quarta maior fatia do fundo público de financiamento de campanhas e do tempo de propaganda em rádio e televisão. Nos cálculos internos, a sigla estima receber cerca de R$ 400 milhões do chamado “fundão” em 2026.

Fonte: Metrópoles