
Maju Cotrim
As eleições no Tocantins não são decididas apenas na capital. Embora Palmas concentre visibilidade, estrutura e parte significativa do debate público, é longe dela, nos pequenos e médios municípios, que o resultado final se constrói. Ignorar essa realidade é um erro recorrente de quem lê a política apenas pelo mapa urbano.
O interior não é figurante no processo eleitoral. É protagonista.
São as cidades menores que formam a base eleitoral do Estado, onde o voto é mais próximo da realidade cotidiana, menos influenciado por grandes campanhas e mais sensível à presença real das lideranças. No interior, a política não é abstrata: ela se mede pela estrada trafegável, pelo posto de saúde funcionando, pela escola estruturada e pelo acesso a serviços básicos.
É justamente por isso que o eleitor do interior reconhece, com facilidade, quem construiu vínculo ao longo do tempo e quem surge apenas quando o calendário eleitoral se aproxima. A memória política nessas cidades é longa. A visita pontual, a promessa apressada e a foto protocolar não substituem anos de diálogo, escuta e entrega.
Conversar com o interior exige mais do que agenda. Exige compreensão das realidades regionais, respeito às lideranças locais e compromisso com políticas públicas que façam sentido fora do eixo da capital. Municípios pequenos e médios têm demandas específicas, muitas vezes invisíveis no debate centralizado, mas determinantes para o desenvolvimento equilibrado do Estado.
Há também um aspecto simbólico nessa relação. O interior quer ser visto, ouvido e respeitado, não apenas contabilizado como número em planilhas eleitorais. Quando isso não acontece, o distanciamento se transforma em descrença e o voto se torna resposta.
Em ano eleitoral, discursos sobre municipalismo se multiplicam. Mas o eleitor sabe diferenciar quem defende o interior por convicção e quem o faz por conveniência. A diferença está no histórico: emendas destinadas, projetos estruturantes, presença institucional e coerência de postura após a eleição.
O Tocantins que decide as eleições está nas margens dos grandes centros, nas comunidades, nas cidades que não aparecem com frequência no noticiário, mas que sustentam o peso democrático do Estado. É ali que se formam maiorias, se consolidam rejeições e se define o rumo político.
Valorizar o interior não é estratégia de campanha: é compreensão de Estado. Governar para o Tocantins exige olhar para além da capital, reconhecer a diversidade regional e construir políticas que integrem, e não aprofundem, desigualdades.
Quem entende essa dinâmica sai na frente. Quem a ignora corre o risco de descobrir, tarde demais, que o Tocantins já decidiu longe da capital.
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!