Gazeta Eleições 2026: O peso das alianças: mais importantes do que os nomes, os projetos

Maju Cotrim

Em períodos pré-eleitorais, as alianças políticas costumam ser tratadas como um jogo de nomes, siglas e fotos. Quem se juntou a quem, quem rompeu com quem, quem subiu ou desceu do palanque. Esse tipo de leitura até gera ruído, mas raramente gera compreensão. O Tocantins, neste momento, precisa ir além.

Mais importante do que os nomes que compõem uma aliança é o projeto que ela sustenta.

Alianças não são apenas arranjos eleitorais; são compromissos de governo. Elas indicam prioridades, métodos de gestão e, principalmente, o modelo de Estado que se pretende construir. Quando analisadas apenas pela ótica do cálculo político, perdem seu sentido institucional. Quando analisadas pelo impacto futuro, revelam muito.

Uma aliança consistente se reconhece menos pela quantidade de partidos e mais pela coerência entre trajetórias, discursos e propostas. Ela aponta se haverá continuidade administrativa, ruptura responsável ou improviso. Revela se o foco está em desenvolvimento regional, fortalecimento dos municípios, políticas sociais, responsabilidade fiscal ou apenas em sobrevivência política.

No Tocantins, esse debate é ainda mais necessário. Um Estado com desigualdades regionais profundas, demandas estruturais históricas e desafios administrativos permanentes não pode se dar ao luxo de alianças vazias, construídas apenas para vencer eleições. Governar exige base política, mas exige, sobretudo, direção.

Quando alianças se formam sem um projeto claro, o resultado costuma ser instabilidade, disputas internas e paralisia decisória. O custo disso recai sobre a população, que vê promessas se perderem em negociações internas e políticas públicas ficarem reféns de acordos frágeis.

Por outro lado, alianças construídas em torno de objetivos comuns tendem a produzir governos mais previsíveis, com maior capacidade de articulação e entrega. Elas sinalizam ao eleitor o que esperar e o que cobrar após o processo eleitoral.

O eleitor, aliás, começa a perceber essa diferença. A curiosidade sobre quem está ao lado de quem dá lugar a uma pergunta mais madura: para onde esse grupo quer levar o Tocantins? Quais compromissos estão sendo assumidos? Que modelo de desenvolvimento está sendo proposto?

Esse deslocamento do debate é saudável. Ele enfraquece a política do espetáculo e fortalece a política do conteúdo. Obriga lideranças a explicarem seus projetos, suas prioridades e os limites das próprias alianças.

A eleição passa. O governo fica. E as alianças firmadas agora não se desfazem com o fim da campanha, elas moldam decisões, orientam políticas públicas e definem o ritmo da gestão.

Na foto da matéria temos uma das alianças já pré-desenhadas para 2026 entre os senadores Eduardo Gomes e Professora Dorinha e o pré-candidato ao Senado, Carlos Gaguim, para uma possível composição majoritária. O grupo já atua unido na destinação de recursos para os municípios, por exemplo.

Por isso, mais do que observar os movimentos de bastidores, é fundamental analisar o sentido das alianças. Menos fofoca política, mais análise de futuro. Menos nomes, mais projetos. É isso que o Tocantins precisa e é isso que o eleitor começa a exigir.

Trocando em Miúdos

Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!

Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!