
Maju Cotrim
O Tocantins entra em 2026 com uma característica central: o eleitor amadureceu. O voto deixou de ser movido apenas por carisma, promessa ou força de grupo político. Hoje, vence quem demonstra capacidade de leitura do Estado, compromisso com resultados e coerência entre discurso, trajetória e prática.
- Presença no interior não é agenda: é relação construída
O primeiro grande diferencial será a relação orgânica com o interior. Não basta “rodar o Estado” em ano eleitoral. O eleitor do Bico do Papagaio, do Jalapão, do Sudeste e das pequenas cidades do centro-norte distingue claramente quem aparece de quem pertence.
Candidatos com história local, vínculos reais e entregas reconhecidas largam na frente. O interior do Tocantins continua decidindo eleições e punindo ausências oportunistas.
- Discurso alinhado à realidade administrativa
O segundo diferencial será a responsabilidade no discurso. Promessas genéricas perdem força diante de um Estado que cobra soluções práticas: saúde regionalizada, infraestrutura viária, geração de renda fora da capital e fortalecimento dos municípios.
Quem não demonstrar compreensão administrativa do Tocantins, seus limites orçamentários, entraves legais e desafios regionais, terá dificuldade em sustentar narrativa ao longo da campanha.
- Comunicação estratégica e narrativa consistente
Em 2026, comunicação deixou de ser estética. É estratégia de poder.
Candidatos que dominarem:
• narrativa clara,
• posicionamento coerente,
• linguagem adequada a cada público,
• presença digital com conteúdo e não só exposição,
terão vantagem decisiva. A improvisação, o excesso de marketing vazio e a comunicação desconectada da prática política serão rapidamente desmascarados.
- Alianças baseadas em projetos, não apenas em conveniência
As alianças continuarão importantes, mas perderam o valor automático. O eleitor passou a observar o que une os grupos, não apenas quem está ao lado de quem.
Alianças incoerentes, contraditórias ou sem projeto claro tendem a gerar desgaste. Já aquelas que se sustentam em propósito, regionalidade e complementaridade política agregam força real.
- Postura pública e maturidade política
Outro diferencial decisivo será a postura. O Tocantins chega a 2026 cansado de conflitos vazios, disputas personalistas e ruídos desnecessários.
Candidatos com:
• equilíbrio,
• firmeza sem agressividade,
• capacidade de diálogo,
• serenidade diante de crises,
tendem a ganhar respeito mesmo entre eleitores que não são originalmente do seu campo político.
- Legado, não promessa
Por fim, o maior diferencial: o histórico.
Quem já entregou, construiu, defendeu pautas e deixou marcas reconhecidas entra no jogo com vantagem. Em 2026, o eleitor pergunta menos “o que você promete?” e mais “o que você já fez quando teve oportunidade?”.
O passado não garante vitória, mas a ausência de legado cobra um preço alto.
A eleição de 2026 no Tocantins não será vencida pelo barulho, mas pela consistência. Não pelo improviso, mas pelo projeto. Não pela força momentânea, mas pela credibilidade acumulada.
O eleitor tocantinense demonstra maturidade política e uma percepção cada vez mais refinada do jogo público. Quem entender isso, disputará para valer. Quem ignorar, será apenas mais um nome na urna.
Em um Estado que cresce, amadurece e cobra resultados, vencerá quem respeitar o Tocantins como ele é: diverso, regional, exigente e atento.
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!