
O Tocantins entra mais uma vez no ciclo eleitoral com um paradoxo antigo: muitos nomes, muitas agendas individuais e pouca clareza sobre um projeto coletivo de Estado. As pré-candidaturas se multiplicam, as articulações se intensificam — mas a pergunta central ainda ecoa sem resposta consistente: qual Tocantins está sendo proposto para os próximos anos?
Construir identidade política não é repetir slogans, nem colecionar alianças momentâneas. Identidade política se consolida quando uma candidatura consegue interpretar o presente, respeitar a história e apontar um futuro viável para a maioria da população. O desafio, portanto, não é apenas se viabilizar eleitoralmente, mas se legitimar politicamente.
O Tocantins não carece de discursos genéricos sobre desenvolvimento. Carece de decisões claras, de prioridades assumidas e de coragem política para enfrentar temas estruturais que historicamente ficam à margem das campanhas mas que definem o cotidiano do cidadão.
Se querem, de fato, disputar o governo do Estado, todas as pré-candidaturas têm obrigação moral e política de responder, com objetividade e compromisso, a pelo menos seis perguntas fundamentais:
- Qual modelo de desenvolvimento o Tocantins precisa?
Desenvolvimento para quem? Concentrado em poucos polos ou distribuído regionalmente? Baseado apenas no crescimento econômico ou alinhado à inclusão social, sustentabilidade e inovação?
- Como reduzir as desigualdades regionais do Estado?
O Bico do Papagaio, o Jalapão, o sudeste tocantinense e a capital vivem realidades distintas. Que políticas públicas concretas serão implementadas para corrigir esse desequilíbrio histórico?
- Qual é o compromisso real com a educação pública?
Educação como gasto ou como investimento estratégico? Qual o plano para valorização dos profissionais, permanência dos jovens na escola e preparação para o mercado e para a cidadania?
- Que modelo de saúde pública será defendido?
Como a saúde será tratada? Haverá uma política estruturante, com regionalização, fortalecimento da atenção básica e respeito ao cidadão do interior?
- Como gerar emprego e renda sem depender apenas do setor público?
Qual é a estratégia para fortalecer o empreendedorismo local, a economia criativa, o agronegócio sustentável e as pequenas e médias empresas tocantinenses?
- Que relação o próximo governo terá com a sociedade e as instituições?
Governar com transparência, diálogo e participação social ou manter a lógica do poder fechado, distante da população e blindado à crítica?
Essas perguntas não são ideológicas. São obrigatórias. Ignorá-las é insistir em campanhas personalistas, rasas e desconectadas da realidade do Tocantins profundo.
O eleitor tocantinense está mais atento do que muitos imaginam. Não busca apenas carisma ou tradição política. Busca sentido, coerência e projeto. Quem não compreender isso corre o risco de até vencer uma eleição — mas fracassar na construção de um legado.
A Gazeta do Cerrado entende que a consolidação da identidade política não nasce do marketing, mas da responsabilidade histórica. O Tocantins precisa menos de promessas e mais de respostas. E o tempo de respondê-las é agora.
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!