Plenário do Senado Federal - Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Plenário do Senado Federal - Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Plenário do Senado Federal – Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O Congresso Nacional derrubou nesta quarta-feira, 4, o veto presidencial à prorrogação da desoneração para 17 setores intensivos de mão de obra. Com o resultado, a desoneração na folha de pagamento vigente desde 2015 vai ter validade até o final de 2021.

No Senado, foram 64 votos a favor da derrubada e dois contrários. A Câmara havia rejeitado o veto no início da tarde, com um placar de 430 votos a 33, decisão que precisava ser referendada pelo Senado. Deputados da oposição e de parte da base do governo obstruem as votações na Câmara há um mês. No entanto, a obstrução não se repetiu na sessão dos vetos desta quarta.

Para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), houve um tempo de maturação em torno da matéria, que está há cerca de dois meses na pauta do Congresso. “Esse tempo de maturação conseguiu com que cada parlamentar conscientizasse e convencesse o governo com argumentos reais da importância dessa desoneração”, declarou Davi.

A prorrogação da desoneração por um ano foi incluída pelo deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) em seu relatório da medida provisória que autorizou cortes de jornadas e salários.

Pela iniciativa do presidente Jair Bolsonaro de vetar a matéria, o incentivo fiscal acabaria no próximo dia 31 de dezembro. Após perceber que não havia maioria pela manutenção do veto, o governo construiu um acordo e orientou pela derrubada na sessão desta quarta. O líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), foi o responsável pela articulação do acordo.

A desoneração na folha de pagamento de funcionários é uma maneira do poder público incentivar o emprego, pois diminui a carga tributária paga pelo empregador e torna menos custoso o processo de contratação. As empresas podem escolher pagar um percentual que varia de 1% a 4,5% de sua receita bruta como contribuição previdenciária, em vez de calcular o valor sobre 20% da folha de salários.

Essa política de desoneração foi iniciada no segundo governo Dilma Rousseff (PT), e vinha sido desidratada desde a gestão Michel Temer (MDB). O lobby dos setores foi fundamental para manter a desoneração, dado que eles empregam mais de 6 milhões de trabalhadores e alegaram que o incentivo é fundamental para manter o emprego no pós-pandemia.

A medida representa um custo fiscal para o governo porque diminui a arrecadação de impostos. O governo ensaiou a criação de um novo imposto nos moldes da extinta CPMF para compensar a desoneração, mas a discussão do imposto enfrenta resistência no Congresso. Com isso, ainda não foi encontrada uma saída para compensar o impacto da desoneração no orçamento de 2021.

Fonte: Congresso em Foco

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Maju Cotrim
Trocando em Miúdos

Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!

Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!