
A diabetes tipo 1 pode representar um desafio ainda maior quando se manifesta na infância. Nessa fase, a doença tende a evoluir mais rapidamente e exige cuidados contínuos por longos períodos, o que amplia o risco de complicações ao longo da vida.
De acordo com o pediatra Rosalvo Streit Junior, da clínica EVO, trata-se de uma condição crônica e autoimune que destrói as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Como o diagnóstico pode ocorrer cedo, a criança permanece mais tempo exposta aos possíveis impactos da doença.
“Quanto mais precoce o surgimento, maior será o período de exposição às complicações. Além disso, nas crianças, a destruição das células beta costuma ser mais rápida e agressiva”, explica o médico.
Outro ponto relevante é o metabolismo infantil, que funciona de maneira mais acelerada. Isso faz com que a ausência de insulina provoque desequilíbrios no organismo em um intervalo menor.
O pediatra João Lucas Alto e Franco, do Hospital Brasília, reforça que a doença ocorre quando o sistema imunológico ataca as células produtoras de insulina. Sem o hormônio, a glicose permanece elevada no sangue, aumentando o risco de complicações metabólicas.
“Muitas vezes, os primeiros sinais passam despercebidos e o diagnóstico ainda não foi feito. Com isso, algumas crianças chegam ao hospital já em estado mais grave, como a cetoacidose diabética”, afirma.
Essa condição surge quando o corpo, incapaz de utilizar a glicose como fonte de energia, passa a queimar gordura e produzir cetonas, substâncias que tornam o sangue mais ácido. O quadro pode causar desidratação, vômitos e alterações na respiração, exigindo atendimento imediato.
O nutrólogo Marcio Passos destaca que, na diabetes tipo 1, a produção de insulina é insuficiente devido à destruição das células beta pancreáticas, o que torna o organismo mais vulnerável.
“Isso aumenta o risco de descompensações metabólicas e também de problemas cardiovasculares e outras complicações ao longo da vida”, pontua.
Sinais de alerta
Os especialistas alertam que os sintomas iniciais podem ser confundidos com situações comuns da infância, o que atrasa o diagnóstico.
Entre os principais sinais estão sede excessiva, aumento da frequência urinária, fome constante e perda de peso sem causa aparente. Irritabilidade, cansaço e episódios de voltar a urinar na cama também podem ocorrer.
Segundo Rosalvo, é importante buscar avaliação médica ao notar mudanças persistentes no comportamento da criança.
“Com o diagnóstico precoce, é possível iniciar o tratamento com insulina e reduzir significativamente o risco de complicações graves, como a cetoacidose diabética”, destaca.
Desafios no tratamento
O controle da diabetes tipo 1 na infância envolve uma rotina rigorosa, com monitoramento frequente da glicemia, uso diário de insulina, acompanhamento médico e adaptações na alimentação e no estilo de vida.
João Lucas ressalta que a participação da família é essencial nesse processo.
“A criança depende diretamente dos cuidadores para manter o controle. Situações comuns, como festas, prática de atividades físicas ou mudanças na rotina, podem impactar a glicemia”, explica.
Para Marcio Passos, outro desafio é a adaptação em ambientes com grande oferta de alimentos ricos em açúcar e carboidratos, o que pode dificultar a adesão ao tratamento.
Diante disso, os especialistas reforçam que informação, diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo são fundamentais para reduzir riscos e garantir melhor qualidade de vida às crianças com diabetes tipo 1.
Fonte: Metrópoles