
Após perder o pai, a mãe e uma tia em um intervalo de apenas um ano e quatro meses, Francisco José Maciel, de 61 anos, mais conhecido como Chiquinho, foi diagnosticado com depressão e encontrou no voluntariado uma forma de ressignificar a dor do luto e cuidar da própria saúde mental. Sua trajetória integra a série Rostos da Transformação, que apresenta histórias de pessoas atendidas por iniciativas e projetos apoiados pelo deputado estadual Marcus Marcelo.
Em Araguaína, Chiquinho passou a atuar de forma voluntária no Instituto Cerrado (ICER), referência no resgate, tratamento e manutenção de animais silvestres vítimas de tráfico, maus-tratos e acidentes ambientais.
No local, ele auxilia nos cuidados de mais de 150 animais em reabilitação. “A gente pensa que está cuidando deles, mas, na verdade, são eles que cuidam da gente”, afirma Francisco.
Causa animal e saúde mental
Reconhecendo a importância do instituto para a cidade e a região, o deputado estadual Marcus Marcelo (PL), que também é médico veterinário, destinou R$ 50 mil para custear despesas do ICER e, em 2024, apresentou requerimento solicitando um convênio com o Naturatins (Instituto Natureza do Tocantins) para auxiliar na manutenção da instituição.
“Como parlamentar e médico veterinário, acredito que apoiar iniciativas como essa é uma responsabilidade pública, porque cuidar da fauna é também cuidar da saúde mental, do meio ambiente e da nossa sociedade”, afirmou.
Voluntariado que salva vidas
Amigo há mais de 30 anos da médica veterinária Adriana Carreira, presidente do ICER, Chiquinho foi convidado por ela a integrar o trabalho voluntário. Adriana percebeu o quanto o amigo estava fragilizado pelas perdas recentes e sucessivas. Por gostar de animais e de ajudar, ele aceitou o convite, sem imaginar que, naquele gesto, encontraria também um caminho de reconstrução pessoal.
Desde agosto de 2025, percorre diariamente cerca de 18 quilômetros de bicicleta até o instituto, muitas vezes ansioso para chegar. Segundo ele, o contato diário com os animais foi fundamental para enfrentar a depressão. “O luto é talvez a etapa mais difícil do ser humano. Mas quando você vê um animal se recuperar, voltando a viver, algo dentro de você também volta”, relata.
Impacto ambiental
Francisco também chama atenção para a relação de confiança construída no manejo diário, especialmente a proximidade com o macaco Juninho, que chegou ainda filhote após perder a mãe em decorrência da violência humana.
“Ver um filhote sobreviver, quando você achava que ele não resistiria, é algo que não tem explicação. Com o tempo, eles sentem quando podem confiar, ficam mais próximos. Tem animais aqui que dependem totalmente da gente”, descreve.
Além dos benefícios diretos na vida de quem se dedica à causa, o voluntário, graduado em Geografia e Turismo, destaca o impacto ambiental do trabalho desenvolvido pelo ICER.
“Cada animal retirado da natureza é um problema a mais para o meio ambiente e para a sociedade. Esses animais não são decorativos, eles fazem parte do equilíbrio da vida. O serviço no ICER envolve ciência, dedicação e amor”, conclui Maciel.
Texto: Giovanna Hermice
Revisão:Thatiane Cunha
Foto: Glauber de Oliveira