Marcello de Lima Lelis - Foto: Washington Luiz/ Governo do Tocantins
Marcello de Lima Lelis - Foto: Washington Luiz/ Governo do Tocantins

Marcello de Lima Lelis

A Chapada do Catuá, no distrito de Campo Alegre, em Paranã (TO) – reconhecimento que ganha forma também a partir de iniciativa legislativa apresentada pela deputada Cláudia Lelis e já aprovada na Assembleia Legislativa do Tocantins, é um desses territórios raros onde tudo parece essencial. Ali, a natureza não se impõe — ela convida. As águas não impressionam pela força, mas pela beleza.

Cristalinas como em pouquíssimos lugares do Brasil, formam poços que mais se parecem com aquários naturais. No Catuá, no Prata, no Canjica, nas Águas Lindas, há uma exuberância que não se descreve com facilidade — se sente. É o tipo de beleza que, no primeiro instante, acelera o coração. Que silencia. Que desconcerta. Uma experiência que beira o sagrado. Mas ainda assim, o que mais marca não está na paisagem. Está nas pessoas.

Campo Alegre abriga uma comunidade de raízes quilombolas que preserva valores cada vez mais raros: respeito, simplicidade, acolhimento e uma sabedoria que nasce da vida em comunidade. É um povo que recebe sem pressa, que ensina sem discurso, que vive com dignidade. Esse é o verdadeiro patrimônio da Chapada do Catuá. E talvez seja também o seu maior ativo estratégico.

Há cinco anos, quem chegava ali encontrava um único ponto de apoio: a pousada da Dona Maria. Era ela quem recebia, quem acolhia e quem alimentava literalmente. O fogão da Dona Maria sustentava a experiência dos primeiros visitantes. Ali começou tudo.

Hoje, o cenário já é outro. Novas pousadas surgiram. Outras estão em construção. O que antes era isolado começa a ganhar forma de destino. O movimento existe e cresce. Temporada após temporada, o fluxo de visitantes praticamente triplica, impulsionado, sobretudo, pela conexão com Cavalcante e a Chapada dos Veadeiros. E a expectativa é clara: na próxima temporada, esse movimento deve crescer novamente.

Soba liderança do governador Wanderlei Barbosa, o Estado começa a chegar com estrutura, presença e investimento. E, com a pavimentação entre Paranã e Campo Alegre, essa região se integra definitivamente ao próprio Tocantins, abrindo caminhos para o desenvolvimento. O que virá nos próximos anos já pode ser vislumbrado. Mais visitantes. Mais oportunidades. Mais renda circulando. Mais vida.

Mas o verdadeiro desafio não será crescer. Será crescer sem perder o que torna esse lugar único. Porque a Chapada do Catuá não precisa competir com outros destinos. Ela precisa preservar aquilo que os outros perderam. Se houver equilíbrio, Campo Alegre não será apenas mais um destino. Será referência. Um exemplo vivo de que é possível desenvolver sem descaracterizar. Crescer sem perder a alma. E, no fim, talvez essa seja a maior beleza da Chapada do Catuá. Não está apenas nas águas cristalinas. Está no modo de viver de quem chama esse lugar de casa.

Marcello de Lima Lelis
Secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Tocantins