
Cinco veículos que caíram após o desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira ainda permanecem no fundo do Rio Tocantins. Entre eles, um caminhão foi localizado, mas está completamente soterrado. De acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), três motocicletas e uma caminhonete não foram encontradas e podem ter sido encobertas por sedimentos naturais. Três pessoas continuam desaparecidas.
A tragédia aconteceu no dia 22 de dezembro de 2024, pouco antes das 15h, quando o vão central da ponte cedeu, provocando o colapso de parte da estrutura e arrastando veículos para o rio. O acidente deixou 14 mortos, três desaparecidos e um ferido. Até o momento, as famílias das vítimas ainda aguardam indenizações.
A operação de retirada dos veículos submersos foi finalizada em janeiro de 2026, após a remoção de caminhões e de uma caminhonete. Segundo o DNIT, todos os veículos com condições técnicas de reflutuação foram retirados. O caminhão que segue no local não pôde ser removido por estar totalmente soterrado, o que inviabiliza qualquer ação segura.
Desaparecidos
Continuam desaparecidos:
- Salmon Alves Santos, 65 anos
- Felipe Giuvannuci Ribeiro, 10 anos
- Gessimar Ferreira da Costa, 38 anos
Em dezembro de 2025, a Marinha informou que as buscas atingiram o limite técnico-operacional no dia 29 de janeiro daquele ano, cerca de um mês após o desabamento. O Corpo de Bombeiros do Tocantins informou que as buscas estão suspensas, mas poderão ser retomadas caso surjam novos indícios.
Imagens e investigação
Imagens inéditas do desabamento vieram à tona recentemente, mostrando novos ângulos da queda da ponte. Os vídeos foram gravados por câmeras instaladas em um caminhão de uma transportadora que atravessava o local no momento do colapso.
Segundo a advogada Melissa Fachinello, que representa vítimas e empresas afetadas, os registros foram recuperados e anexados a um processo que tramita na Justiça Federal. A Polícia Federal confirmou que o material integra o inquérito civil e destacou que as investigações continuam em andamento devido à complexidade do caso.
A divulgação das imagens, que repercutiram nas redes sociais, reacendeu a dor das famílias. Amanda Rodrigues, irmã de uma das vítimas, relatou o impacto emocional ao rever o momento da tragédia.
Ainda conforme a advogada, o DNIT não iniciou o pagamento de indenizações a pescadores afetados. Em nota, o órgão informou que as demandas estão sendo tratadas judicialmente e que há negociações para a realização de mutirões em busca de acordos.
Íntegra da nota do DNIT
O DNIT informa que as demandas relacionadas às indenizações decorrentes do desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek, ocorrido entre Estreito (MA) e Aguiarnópolis (TO), em dezembro de 2024, encontram-se atualmente judicializadas.
Há diversas ações em tramitação, ajuizadas por particulares, por entes públicos — como o Ministério Público — e por organizações da sociedade civil. Nessas demandas, são discutidos diferentes tipos de indenização, incluindo danos materiais, danos morais, lucros cessantes e eventuais danos ambientais.
Nesse contexto, estão em tratativas, junto à Justiça Federal, iniciativas voltadas à realização de mutirões com foco na busca de soluções consensuais, com o objetivo de conferir maior celeridade e efetividade às respostas às famílias atingidas. Também há a possibilidade de celebração de acordos, observados os procedimentos e critérios estabelecidos na Portaria nº 498/AGU, a partir da análise de viabilidade jurídica e administrativa das propostas apresentadas pelas partes envolvidas.
No momento, não é possível estabelecer uma previsão geral para o pagamento das indenizações. No caso das ações judiciais, eventuais pagamentos dependerão do regular andamento processual e ocorrerão por meio de requisições judiciais, como precatórios ou RPVs (Requisições de Pequeno Valor), após decisão definitiva.
A condução das demandas judiciais envolve a atuação da Advocacia-Geral da União (AGU), por meio do DNIT e dos órgãos de representação judicial da autarquia, em articulação com o DNIT e demais órgãos competentes.
As famílias interessadas devem acompanhar o andamento de seus processos por intermédio de seus advogados, no caso de ações individuais, ou por meio do Ministério Público e de associações representativas, nas ações coletivas.
Por fim, destaca-se que há diversas ações judiciais em curso sobre o tema, em diferentes fases processuais — incluindo fase inicial, produção de provas, análise judicial e tentativas de conciliação —, o que reforça a complexidade do caso e a necessidade de tratamento individualizado das demandas.