Normativa determina estruturação de sistemas de recolhimento e destinação adequada de materiais
Normativa determina estruturação de sistemas de recolhimento e destinação adequada de materiais

O que antes virava lixo agora precisa voltar à cadeia produtiva. Com articulação do Ministério Público do Tocantins (MPTO), o estado regulamentou a logística reversa e estabeleceu regras para que embalagens de vidro, plástico, papel, papelão, ferro e alumínio retornem ao ciclo econômico, reduzindo impactos ambientais e fortalecendo a economia circular.

A medida foi consolidada com a entrada em vigor do Decreto nº 7.031 de outubro de 2025, que transforma em obrigação prática, o chamado “caminho de volta” das embalagens após o consumo. Agora, fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes passam a ter responsabilidade formal na estruturação de sistemas de recolhimento e destinação adequada desses materiais.

Além de reduzir o descarte irregular e a pressão sobre lixões e aterros, a regulamentação coloca o Tocantins como o segundo estado da Região Norte a estruturar oficialmente o sistema de logística reversa, consolidando avanço relevante na política estadual de resíduos sólidos.

Agenda 2026

A consolidação do decreto foi destaque na primeira reunião de 2026 da Rede “TO Sustentável”, integrada pelo MPTO e demais órgãos do sistema de Justiça, instituições públicas, universidades e entidades parceiras com o objetivo de promover cooperação técnica, intercâmbio de experiências e execução de ações conjuntas voltadas à sustentabilidade. 

Representando o MPTO, o chefe de Gabinete da Procuradoria-Geral de Justiça,  promotor de Justiça Juan Aguirre, reforçou o compromisso institucional com a implementação efetiva da logística reversa e com o fortalecimento de políticas públicas ambientais no estado.

Essa implementação será fundamental para viabilizar a economia circular e cumprir as metas da Política Pública de Resíduos Sólidos. Esse resultado não apenas mitigará impactos ambientais, mas também promoverá a inclusão social e potencializará a eficiência econômica do setor.

O encontro realizado no Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), reuniu a Rede para aprovação do Plano de Trabalho de 2026 e organização do VI Seminário de Gestão Socioambiental, previsto para junho deste ano.

Atuação estratégica 

A minuta do decreto  que implantou a logística reversa no Estado, foi elaborada com participação técnica do Centro de Apoio Operacional de Urbanismo, Habitação e Meio Ambiente (Caoma) e modelos adotados em outros estados, além de contar com o apoio da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa). Um processo que começou em  em 2023, quando o MPTO levou ao Conselho Estadual do Meio Ambiente (Coema).

Com a entrada em vigor do Decreto nº 7.031, empresas passam a ter obrigação formal de estruturar e implementar sistemas próprios de logística reversa, com metas mínimas e progressivas de recolhimento de embalagens.

A regulamentação prevê: implementação de sistema informatizado para controle de volumes comercializados e devolvidos; definição de metas progressivas de reaproveitamento; responsabilidade compartilhada entre setor produtivo, poder público e consumidores; incentivo ao fortalecimento e criação de cooperativas de catadores e ampliação da integração entre entes governamentais e sociedade civil.

Atualmente, o Tocantins conta com oito cooperativas e associações de catadores, distribuídas em diferentes municípios, que tendem a ser diretamente impactadas pela política pública, fortalecendo a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que prevê a responsabilização de empresas pelo ciclo de vida de seus produtos, promove a redução de impactos ambientais e estimula a economia circular.

Texto: Lidiane Moreira/Dicom MPTO